10 mil vidas salvas: o trabalho invisível que faz do Paraná referência nacional em transplantes

22/09/2026
Para que um órgão chegue às mãos do cirurgião, existe uma rede complexa de bastidores que atua nas horas mais críticas. No Paraná, o motor dessa engrenagem atende por uma sigla: OPO, Organização de Procura de Órgãos. É justamente o trabalho dessas equipes que sustenta o protagonismo paranaense no cenário nacional. O "Setembro Verde", mês de conscientização sobre a doação de órgãos, pauta o momento ideal para dar luz a quem atua nessa linha de frente e celebra a marca histórica de mais de 10 mil transplantes no Paraná desde a criação do Sistema Estadual de Transplantes, em 2011. Naquele ano, entre janeiro e agosto, o Paraná registrou 70 doações. No mesmo período de 2026, foram 293, um salto superior a 300%. Em números anuais fechados, as doações pularam de 111, em 2011, para 462, em 2025. Somente entre janeiro e setembro deste ano, 1.386 transplantes de órgãos e tecidos já foram feitos. O monitoramento das demandas e da disponibilidade de órgãos funciona 24 horas por dia. O Estado conta atualmente com quatro OPOs, estrategicamente distribuídas para cobrir todo o mapa: Curitiba, Cascavel, Maringá e Londrina. Ao todo, são 26 funcionários que coordenam as etapas desse processo. A regionalização permite que as equipes conheçam de perto a realidade dos hospitais de cada área. Tudo começa quando uma unidade de saúde notifica sobre paciente com quadro neurológico grave e potencial evolução para morte encefálica. A OPO, juntamente com as Equipes Hospitalares de Doação para Transplantes de cada instituição, entra em ação para validar o diagnóstico, garantir a manutenção clínica necessária para manter os órgãos viáveis e preparar a entrevista familiar. É nesta etapa que o Paraná se diferencia do cenário nacional. Enquanto a média do País de recusa familiar para a doação de órgãos é de 45%, no Paraná cai para 33%, uma das menores do Brasil. Na abordagem à família, os profissionais das OPOs e das Equipes Hospitalares de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes atuam com foco no suporte emocional, ouvindo e esclarecendo dúvidas diante do diagnóstico. Assim que a família autoriza a doação, a OPO passa a operar como um centro de logística avançada. A equipe se articula com o Sistema Estadual de Transplantes, aciona as frentes de captação, reserva centros cirúrgicos, providencia a identificação das amostras biológicas e, quando necessário, alinha trâmites legais com o IML. (Repórter: Gustavo Vaz)