De testes de rotina às novas drogas: como a Polícia Científica identifica as substâncias apreendidas
01/07/2026
A apreensão de uma droga é apenas o começo da investigação. Nos laboratórios da Polícia Científica do Paraná, as substâncias passam por análises que identificam a composição, revelam adulterações e ajudam a detectar novas drogas sintéticas. Esse trabalho gera o laudo pericial, que comprova cientificamente se a substância é ilegal e serve como prova nos processos por tráfico. As análises também permitem relacionar diferentes apreensões e produzir informações estratégicas para as forças de segurança. Depois de chegar ao laboratório, o material passa por exames preliminares e, na sequência, por equipamentos de alta precisão que identificam a composição química. Além de confirmar drogas conhecidas, como cocaína, maconha e anfetaminas, os peritos conseguem medir o grau de pureza e identificar substâncias usadas para adulterar o produto, como cafeína e lidocaína. Um dos maiores desafios atualmente é identificar as chamadas Novas Substâncias Psicoativas, produzidas a partir de alterações químicas em drogas já conhecidas. Quando uma amostra não corresponde aos padrões existentes, ela passa por exames mais detalhados, com apoio de bancos de dados nacionais e internacionais e, em alguns casos, de instituições de pesquisa. Entre as drogas que mais chamam a atenção estão os canabinoides sintéticos, conhecidos como drogas "K", e a chamada "cocaína rosa", que normalmente não contém cocaína e costuma ser formada por misturas de substâncias como cetamina e cafeína. O avanço das análises permitiu uma identificação inédita no Paraná: cerca de 1 quilo de MDMB-PINACA, um canabinoide sintético apreendido em Cascavel. A substância produz efeitos semelhantes aos da maconha, mas com potência muito maior. O resultado foi confirmado em parceria com a Universidade Federal do Paraná e reforça a importância do monitoramento contínuo diante da rápida evolução das drogas que circulam no mercado ilegal. (Repórter: Gabriel Ramos)


