Estado emite licença ambiental para início das obras da nova pista do Aeroporto Afonso Pena

Nova pista é estratégica para ampliar a capacidade operacional do terminal, aumentar o número de pousos e decolagens e possibilitar operações internacionais de longa distância sem necessidade de escalas para reabastecimento. Para a implantação, a concessionária estima investir R$ 800 milhões.
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10/08/2026 - 10:00

Governo do Paraná, por meio do Instituto Água e Terra (IAT), emitiu nesta segunda-feira (10) a Licença de Instalação para a nova pista de pouso e decolagem do Aeroporto Internacional Afonso Pena, em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba. A autorização ambiental é uma etapa importante, pois permite que a concessionária Motiva implante o canteiro de obras e dê início à execução do empreendimento.

Para o governador Carlos Massa Ratinho Junior, a emissão da licença representa a concretização de uma reivindicação antiga do Estado. “É uma vitória para o Paraná e uma luta de mais de 30 anos”, disse.

Segundo Ratinho Junior, a nova estrutura terá impactos principalmente na ampliação das conexões internacionais e na logística de cargas para o setor produtivo. “Não apenas vai dar um ganho no turismo do Estado, com voos diretos dos Estados Unidos e da Europa, como também vai trazer mais eficiência para quem viaja e para quem chega ao Paraná. Além disso, é muito importante para a indústria. Hoje, muitos componentes, matérias-primas e produtos que atendem ao setor produtivo de Curitiba e da Região Metropolitana são importados para serem utilizados na industrialização. Com a terceira pista, teremos a oportunidade de ganhar eficiência no atendimento a essa indústria e ampliar o transporte de cargas”, salientou.

A licença estabelece uma série de condicionantes ambientais que deverão ser cumpridas durante toda a execução das obras. Entre elas estão programas permanentes de monitoramento das águas subterrâneas, recuperação de áreas degradadas, gerenciamento de riscos ambientais, controle da drenagem, monitoramento da fauna, gestão adequada dos resíduos sólidos, acompanhamento da qualidade do ar e controle das emissões de poeira e ruído. Também estão previstas medidas para prevenção de processos erosivos, proteção dos recursos hídricos e mitigação dos impactos provocados pelas intervenções.

“O processo de licenciamento ambiental é revestido de complexidade. O importante é que ele foi feito num tempo adequado para que se desse segurança para que o investimento seja feito da maneira correta”, detalhou o secretário do Desenvolvimento Sustentável, Everton Souza.

Antes do início da operação da nova estrutura, será necessária a emissão da Licença de Operação, também concedida pelo Instituto Água e Terra. Essa licença atesta que todas as obras e condicionantes ambientais foram cumpridas e autoriza o funcionamento da nova pista.

PROJETO - A nova pista do Aeroporto Afonso Pena é considerada estratégica para ampliar a capacidade operacional do terminal, aumentar o número de pousos e decolagens e possibilitar operações internacionais de longa distância sem necessidade de escalas para reabastecimento. A partir do início das obras, a fiscalização será realizada pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Para a implantação, a concessionária estima investir R$ 800 milhões.

Hoje o Aeroporto Afonso Pena opera com duas pistas, de 1.800 e 2.200 metros. A ampliação vai eliminar restrições operacionais enfrentadas principalmente por causa da altitude do terminal, localizado a 911 metros acima do nível do mar, permitindo que aeronaves de grande porte decolem com capacidade máxima de combustível.

A nova pista terá 3 mil metros de extensão e 45 metros de largura, além de acostamentos pavimentados de 7,5 metros em cada lado. O projeto inclui ainda plataformas de contenção do jato dos motores nas duas cabeceiras, áreas de segurança de fim de pista (RESA) e seis novas pistas de táxi, que vão conectar a nova estrutura às demais áreas operacionais do aeroporto.

Na prática, isso abre caminho para a implantação de voos intercontinentais diretos a partir do Paraná. Atualmente, aeronaves que operam rotas de longa distância precisam fazer escalas técnicas para abastecimento antes de seguir viagem.

Segundo a diretora de Negócios da Motiva, Monique Henriques, a nova pista vai ampliar a movimentação de cargas e as conexões internacionais do terminal. “O terminal de cargas do Aeroporto Afonso Pena já é o maior terminal de cargas da Região Sul e o quinto maior terminal de cargas do País. Com a nossa nova pista, a gente vai conseguir impulsionar ainda mais as cargas aqui nesse terminal e também destravar o potencial que o Estado tem de trazer tanto turismo de negócio como turismo de lazer, com abertura de mais portas para a Europa e também para os Estados Unidos”, pontuou. As obras da nova pista devem gerar 1.000 empregos.

A prefeita de São José dos Pinhais, Nina Singer, ressaltou os efeitos da nova pista para a economia do município e para o desenvolvimento do turismo. “Com o avião de carga, vai movimentar ainda mais a vida das empresas da nossa cidade, mas está abrindo caminho para todo o Paraná e para toda a Região Metropolitana. A terceira pista é um ganho muito grande para o nosso município, principalmente para o polo industrial, mas também pensando no turismo”, afirmou.

Já o prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel, ressaltou a importância da nova pista para fortalecer a integração de Curitiba com outros destinos e para a economia da Região Metropolitana. “O Aeroporto Internacional Afonso Pena é um hub importante de turismo e negócios. Essa abertura vai fazer com que Curitiba continue sendo uma referência internacional em turismo e sustentabilidade. Mas o mais importante é o nosso polo industrial, que envolve Curitiba, São José dos Pinhais, Araucária e Fazenda Rio Grande, todos com ligação direta com o aeroporto”, refletiu.

ENTORNO - Além da ampliação executada pela concessionária Motiva, o Governo do Paraná realizará, por meio de convênio com a Prefeitura de São José dos Pinhais, cerca de R$ 200 milhões em obras complementares para dar suporte ao empreendimento. Estão previstas intervenções viárias como novas rotatórias, adequações no sistema de acesso e sinalização.

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