Estado entrega 1.000 celulares à UEL para ampliar ações de projeto de alfabetização no Paraná

Dispositivos serão utilizados com o jogo educativo Kalulu, que aplica conhecimentos da neurociência para fortalecer a alfabetização de crianças em escolas públicas de dez municípios paranaenses.
Publicação
30/10/2026 - 11:01

Confira o áudio desta notícia

O Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado da Inovação e Inteligência Artificial do Paraná (SEIA-PR), destinou 1.000 celulares para a Universidade Estadual de Londrina (UEL) com o objetivo de apoiar a expansão do Projeto Kalulu, iniciativa que usa neurociência e psicologia cognitiva para aprimorar o processo de alfabetização nas escolas públicas. Os dispositivos vão receber o jogo educativo Kalulu, que será utilizado por crianças dos municípios atendidos pelo projeto.

A ação integra o apoio do Governo do Estado à ampliação da iniciativa, que começou em 2025 no município de Cambé, e em 2026 já atende mais nove municípios. O projeto reúne pesquisadores da UEL, da Universidade Federal do ABC (UFABC) e do Collège de France, em uma colaboração internacional vinculada ao neurocientista francês Stanislas Dehaene, referência nos estudos sobre o cérebro e a aprendizagem da leitura.

A parceria da SEIA com o projeto reforça o papel da inovação no desenvolvimento de soluções para desafios da educação. Para o secretário da Inovação e Inteligência Artificial, Marcos Stamm, o projeto demonstra como a pesquisa pode trazer benefícios para a comunidade.

“A inovação também acontece quando conseguimos transformar o conhecimento científico em soluções que melhoram a vida das pessoas. O Kalulu é apenas um dos muitos exemplos de como a pesquisa e a inovação podem gerar impactos concretos na sociedade”.

A proposta do Kalulu é transformar evidências científicas sobre o desenvolvimento da leitura em ferramentas práticas para professores e estudantes. A metodologia combina materiais didáticos, jogos educativos, formação docente e acompanhamento contínuo da aprendizagem, com atividades voltadas ao desenvolvimento das habilidades de leitura desde os primeiros anos do Ensino Fundamental.

Para a professora Carla Cristiane da Silva, pesquisadora da UEL e uma das coordenadoras do projeto, a aproximação entre ciência e educação é fundamental para aprimorar o processo de alfabetização. “Com o uso de ferramentas lúdicas e uma metodologia estruturada, buscamos apoiar professores e oferecer às crianças condições mais adequadas para desenvolver as habilidades de leitura”, afirma.

Em Cambé, a implantação ocorreu em 17 escolas municipais, com aproximadamente 1.300 alunos do 1º ano do Ensino Fundamental. A experiência foi acompanhada por um estudo controlado e randomizado, que comparou turmas participantes do projeto com outras que mantiveram as práticas habituais de ensino. Ao final do ano, 58% das crianças que utilizaram o Kalulu conseguiam ler mais de cinco palavras por minuto, enquanto o índice foi de 45% entre os estudantes do grupo de comparação. 

Os resultados da experiência contribuíram para a expansão do projeto em 2026, com a inclusão de outros nove municípios do Paraná. A ampliação contou com parceria e financiamento da SEIA, que também destinou os dispositivos móveis à UEL para viabilizar o acesso das crianças ao jogo educativo.

GALERIA DE IMAGENS