Hospital de Dermatologia Sanitária faz 100 anos com história de transformação na saúde pública

Fundada em 20 de outubro de 1926, a instituição acompanhou mudanças profundas nas políticas públicas de saúde e, atualmente, é referência no atendimento especializado pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
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20/10/2026 - 10:24
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Um século de história, transformações na medicina e avanços na assistência à população. O Hospital de Dermatologia Sanitária do Paraná (HDSPR), localizado em Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba, completa 100 anos nesta terça-feira (20). Fundada em 20 de outubro de 1926, a instituição acompanhou mudanças profundas nas políticas públicas de saúde e, atualmente, é referência no atendimento especializado pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

O hospital, mantido pelo Governo do Estado, é gerido pela Fundação Estatal de Atenção em Saúde (Funeas) e atende pacientes de 56 municípios paranaenses. Sua estrutura reúne serviços especializados em dermatologia, hanseníase, cirurgia vascular e tratamento de feridas complexas, além de atividades de ensino e formação médica.

A trajetória centenária também é marcada pela ampliação da assistência à população. A partir de 2020, o hospital iniciou um processo de reestruturação, com mudanças no perfil assistencial e expansão dos serviços especializados. Os resultados aparecem na evolução dos atendimentos, que passaram de 25.889 em 2021 para 167.051 em 2025, um crescimento de 545%. Somente entre janeiro e setembro de 2026, foram registrados outros 118.924 atendimentos. Desde 2021, a unidade já contabiliza mais de 673.926 atendimentos pelo SUS.

Atualmente, o hospital faz cerca de 500 atendimentos por dia, entre consultas, curativos e procedimentos especializados.

“São 100 anos de uma instituição que acompanhou a evolução da medicina e se transformou em referência na assistência especializada. Seguimos investindo na modernização e ampliação dos serviços para garantir mais acesso e qualidade no atendimento à população”, disse o secretário de Estado da Saúde, César Neves.

Para acompanhar a demanda e ampliar os serviços oferecidos à população, a unidade passou, e mantém, por um processo de modernização e expansão. O investimento estadual anunciado para as obras é de R$ 39,5 milhões, com previsão de conclusão total em 2027.

A nova estrutura contará com um Ambulatório Médico de Especialidades (AME), ampliando de 28 para 54 o número de consultórios. Também estão previstos um centro cirúrgico com duas salas, 12 leitos, centro de diagnóstico e serviço de oxigenoterapia hiperbárica, utilizado como recurso complementar no tratamento de feridas complexas e crônicas.

UMA HISTÓRIA DE TRANSFORMAÇÕES – Antes de se tornar referência em atendimento especializado, o hospital teve uma realidade bastante diferente. Inaugurado como Hospital São Roque, em 1926, foi criado para receber pessoas com hanseníase.

Na primeira metade do século XX, a ausência de tratamentos eficazes e as políticas sanitárias adotadas no Brasil levaram à criação de hospitais-colônia, destinados ao isolamento de pessoas diagnosticadas com a doença. O São Roque chegou a abrigar aproximadamente 1,3 mil pacientes simultaneamente. Mais do que uma instituição hospitalar, o complexo funcionava como uma pequena cidade, com áreas residenciais, igreja, cinema, correio, cemitério e até uma cadeia.

Para muitas pessoas, o hospital não representava apenas um local de tratamento, mas o espaço onde passaram parte significativa de suas vidas, afastadas do convívio familiar e social pelas políticas de isolamento compulsório. Com os avanços científicos e as mudanças nas políticas de enfrentamento da hanseníase, esse modelo foi sendo superado.

Em 1983, a unidade passou a ser administrada pela Secretaria de Estado da Saúde e recebeu o nome de Hospital de Dermatologia São Roque. Em 1990, mudou para Hospital de Dermatologia Sanitária do Paraná, consolidando uma nova etapa de sua trajetória, voltada à assistência especializada e à ampliação do acesso aos serviços de saúde.

REFERÊNCIA EM ATENDIMENTO ESPECIALIZADO – Ao longo das últimas décadas, o hospital ampliou seu perfil assistencial, passando a oferecer consultas e procedimentos em diferentes especialidades.

Além do acompanhamento de pacientes com hanseníase, a unidade atende pessoas com psoríase, eczema, doenças vasculares, lesões de pele e feridas de difícil cicatrização. Os serviços incluem consultas médicas, estomaterapia, curativos especiais, fototerapia, procedimentos dermatológicos e atendimento multiprofissional nas áreas de fisioterapia, nutrição, psicologia, serviço social e terapia ocupacional.

A unidade hospitalar também promove mutirões voltados ao diagnóstico de lesões suspeitas de câncer de pele e ao atendimento de pacientes com problemas vasculares, especialmente nos membros inferiores.

ENSINO E FORMAÇÃO – A instituição também passou a contribuir diretamente para a formação de novos especialistas. Em 2023, implantou o Programa de Residência Médica em Dermatologia, autorizado pelo Ministério da Educação (MEC).

Em 2026, ano do centenário, está prevista a formação da primeira turma de médicos residentes, fortalecendo a atuação do hospital como espaço de assistência, ensino e aperfeiçoamento profissional.

A unidade também promove simpósios e capacitações nas áreas de hansenologia, dermatologia e tratamento de feridas, reunindo profissionais de diferentes regiões do Paraná.

MEMÓRIA PRESERVADA – Parte dessa trajetória pode ser conhecida no Museu São Roque (Musar), inaugurado em março de 2020 em um dos prédios históricos do complexo hospitalar. O espaço reúne documentos, objetos e registros que ajudam a compreender a história da hanseníase, as antigas políticas de isolamento e as transformações no atendimento aos pacientes.

Considerado o primeiro museu paranaense dedicado à memória e à evolução do tratamento da hanseníase, o Musar também contribui para a preservação do patrimônio histórico da saúde pública e para a reflexão sobre o estigma que acompanhou a doença durante décadas.

PROGRAMAÇÃO DO CENTENÁRIO – Para marcar a data, foi preparada uma programação especial ao longo de outubro, reunindo atividades religiosas, culturais, homenagens e encontros voltados à troca de experiências sobre o enfrentamento da hanseníase. As comemorações começaram no dia 18, com uma missa promovida pelas Irmãs Franciscanas de São José, congregação que participou da história da instituição desde sua fundação.

Nesta sexta-feira (23), a programação será dedicada aos funcionários e pacientes, com apresentação do Coral Paraná, premiação dos vencedores de um concurso interno de fotografias, plantio simbólico de um ipê e exposição de desenhos produzidos em parceria com o grupo Urban Sketchers Curitiba (USK). As atividades acontecerão no antigo refeitório da unidade, das 13h30 às 17h.

Nos dias 28 e 29 de outubro, o hospital sediará o 2º Encontro de Hospitais Parceiros do Instituto Alliance Contra Hanseníase, reunindo representantes de instituições de diferentes regiões do Brasil para compartilhar experiências e discutir ações relacionadas à doença.

O encontro contará com a participação do Instituto Lauro de Souza Lima, de Bauru (SP), do Hospital São Julião, de Campo Grande (MS), e da Fundação Hospitalar Alfredo da Mata, de Manaus (AM), além de representantes de outras instituições de saúde. As atividades técnicas terão continuidade na tarde do dia 28 e durante o dia 29, no auditório do Centro de Produção e Pesquisa de Imunobiológicos (CPPI).

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