A Orquestra Sinfônica do Paraná (OSP) viveu um marco em sua trajetória ao realizar, pela primeira vez em seus 41 anos, completados em 2026, uma turnê internacional. Nos dias 17 e 19 de outubro, o grupo com 82 músicos se apresentou em Xangai, na China, como parte da programação oficial brasileira do Ano Cultural Brasil-China 2026, no China Shanghai International Arts Festival (CSIAF), um dos mais importantes festivais de artes da Ásia.
Sob regência do maestro convidado Roberto Ramos, a Orquestra levou ao público chinês um programa dedicado à riqueza e à diversidade da música de concerto brasileira. As duas apresentações reuniram aproximadamente 2,1 mil pessoas: cerca de 1,6 mil espectadores em um espetáculo ao ar livre e outros 500 no Teatro da Universidade de Xangai.
Para o diretor-presidente do Centro Cultural Teatro Guaíra, Cleverson Cavalheiro, a experiência representa um capítulo histórico para a instituição e para a cultura paranaense. “Foi uma experiência incrível, a primeira viagem internacional da Orquestra e já do outro lado do mundo. A Orquestra se superou, foi lindo o espetáculo, um dos melhores que fez em sua trajetória”, disse.
Cavalheiro destacou também a receptividade do público chinês e a importância de levar a produção artística do Paraná a um cenário internacional. “O mais importante é representar o seu estado, representar o Brasil, levar a sua cultura, a sua arte, o seu trabalho a outro país e ver as pessoas admirarem esse trabalho, aplaudirem e curtirem a nossa programação. Para nós, foi histórico”, afirmou.
A turnê ocorreu em um contexto de aproximação cultural entre Brasil e China, com o objetivo de ampliar o conhecimento entre os países e estimular novas parcerias. A participação da OSP também projetou internacionalmente a experiência artística e o trabalho desenvolvidos pelo Centro Cultural Teatro Guaíra e pela Orquestra.
“Foram muitas pessoas trabalhando para que fosse possível essa circulação e essa viagem com tamanha complexidade. É um momento feliz e importante para a Sinfônica do Paraná. Que essa primeira viagem possa ser o começo de muitas outras”, afirmou o diretor artístico do Centro Cultural Teatro Guaíra, Áldice Lopes.
Para o maestro Roberto Ramos, a viagem foi um encontro entre culturas. “Embora tenhamos diferentes línguas, a música foi a nossa linguagem comum, aproximando artistas, públicos e instituições dos dois países”, destacou.
O regente também ressalta a dedicação dos músicos e a emoção de perceber a receptividade do público chinês. “Saio dessa turnê com enorme gratidão e com a certeza de que a arte é uma das formas mais bonitas de construir pontes entre povos”, acrescentou.
REPERTÓRIO BRASILEIRO - O programa apresentado em Xangai reuniu obras de três compositores fundamentais para a formação da música de concerto brasileira: Camargo Guarnieri, Heitor Villa-Lobos e Alberto Nepomuceno.
A apresentação começou com a “Abertura Concertante”, de Guarnieri, seguida pelas “Bachianas Brasileiras nº 4”, de Villa-Lobos, obra que aproxima a tradição musical europeia de elementos da cultura brasileira. O encerramento teve “Sinfonia em sol menor”, de Nepomuceno, uma das referências do sinfonismo brasileiro do período romântico.
A escolha das peças percorreu diferentes momentos da construção de uma identidade musical nacional, evidenciando a capacidade dos compositores brasileiros de dialogar com tradições internacionais sem abrir mão de suas próprias referências culturais.
Antes da viagem, a Orquestra apresentou o mesmo programa no Teatro Guaíra, em Curitiba, em um concerto que também prestou homenagem ao maestro Roberto Tibiriçá, regente titular e diretor musical da OSP desde 2022, morto em 3 de outubro, aos 72 anos. A apresentação marcou a despedida da Orquestra antes da participação no festival internacional e celebrou o legado do maestro para a música brasileira.
INVESTIMENTO - A participação da Orquestra Sinfônica do Paraná no China Shanghai International Arts Festival foi viabilizada por meio do Programa Paraná Competitivo, com recursos da Volkswagen do Brasil.
Criado em 2011, o Programa é uma das principais políticas estaduais de atração e incentivo a investimentos, apoiando projetos que promovam o desenvolvimento econômico e sustentável do Paraná. A iniciativa também possibilita o reinvestimento de recursos em ações estratégicas para o Estado, incluindo projetos culturais de alcance internacional.
A participação brasileira no festival integrou uma articulação entre o Governo do Estado do Paraná, a Secretaria de Estado da Cultura, o PalcoParaná, Centro Cultural Teatro Guaíra e Ministério da Cultura, com apoio da Volkswagen do Brasil por meio do programa estadual.
















