A Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) lançou o Painel de Rastreamento do Câncer do Colo do Útero - Teste DNA-HPV, ferramenta que permite acompanhar a implantação da nova tecnologia de diagnóstico molecular no Paraná. O sistema reúne informações atualizadas sobre exames realizados, local de coleta, taxas de detecção e distribuição dos resultados por região, município e unidade de atendimento. A ferramenta está disponível no site da Sesa, na página de Prevenção e Controle de Doenças Crônicas e Tabagismo.
O teste molecular de DNA-HPV já é utilizado em 46 municípios paranaenses e está em fase de implantação em outras 210 cidades. Com a expansão, a previsão é alcançar 256 municípios até o fim de 2026, ampliando o acesso ao rastreamento organizado do câncer do colo do útero em todo Estado.
A estratégia faz parte da transição gradual do exame citopatológico convencional, conhecido como Papanicolau, para o teste molecular de DNA-HPV oncogênico, conforme as Diretrizes Brasileiras para o Rastreamento do Câncer de Colo do Útero de 2025. Até a conclusão da mudança, o Papanicolau continua sendo realizado na rede pública de saúde.
Diferentemente do modelo baseado apenas na procura espontânea, o rastreamento organizado prevê que os serviços de saúde identifiquem, convidem e acompanhem ativamente a população que deve fazer o exame.
O secretário de Estado da Saúde, César Neves, afirma que a ampliação representa uma mudança importante na capacidade de prevenção e diagnóstico precoce da doença.
“É uma grande conquista. É um exame de maior sensibilidade e acurácia na detecção precoce do câncer do colo uterino. Começamos com o projeto-piloto, crescemos e temos uma meta de atingir 256 municípios em todo o Paraná até o fim do ano. As mulheres terão um exame extremamente moderno e sensível na detecção precoce deste câncer”, afirmou Neves.
PÚBLICO-ALVO - O teste está disponível gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para mulheres e pessoas com útero, de 25 a 64 anos, que já tiveram relação sexual. O público inclui homens trans, pessoas não binárias e pessoas intersexo que tenham colo do útero.
A convocação prioriza o público de 30 a 49 anos que nunca fizeram o exame ou estão há mais de três anos sem acompanhamento. Também são consideradas as pessoas de 50 a 64 anos com o exame em atraso e, posteriormente, os demais públicos previstos no protocolo estadual Rastreamento Organizado do Câncer do Colo do Útero: Implementação do teste molecular de DNA-HPV no Paraná.
MONITORAMENTO - O painel utiliza dados do Gerenciador de Ambiente Laboratorial (GAL) e apresenta o número de amostras cadastradas, exames liberados e taxas de detecção. A ferramenta também mostra os municípios que já realizaram a coleta, além de mapas e resultados separados entre os tipos de HPV 16, 18 e demais tipos de alto risco.
O registro correto das amostras no Sistema de Informação do Câncer (Siscan) e no GAL é necessário para que o município apareça no painel e para o acompanhamento da implantação da estratégia e recebimento de mais kits.
A diretora de Atenção e Vigilância em Saúde, Maria Goretti David Lopes, explica que a expansão do teste integra um conjunto de medidas voltadas à qualificação da rede, ao fortalecimento da Atenção Primária e à ampliação das estratégias de prevenção. “Investimos na qualificação dos serviços especializados em oncologia, no fortalecimento da Atenção Primária à Saúde e na ampliação das estratégias de prevenção”, disse.
Segundo a diretora, a identificação precoce precisa estar acompanhada de uma rede preparada para garantir a confirmação diagnóstica e o tratamento adequado das alterações encontradas.
“O diagnóstico precoce salva vidas. Nosso compromisso é assegurar que o paranaense tenha acesso desde a prevenção até o tratamento especializado, garantindo que a mulher com alteração identificada tenha acesso rápido à investigação, ao tratamento e à cura”, acrescentou Maria Goretti.
TESTE MOLECULAR - A nova tecnologia utiliza a reação em cadeia da polimerase (PCR) para identificar o material genético dos tipos de HPV de alto risco. Dessa forma, o exame pode detectar a infecção antes do surgimento de lesões precursoras do câncer do colo do útero.
O teste molecular oferece entre 60% e 70% mais proteção contra o câncer invasivo em comparação com à citologia. O exame também tem alto valor preditivo negativo. Quando o resultado não detecta o vírus, a recomendação é que o próximo teste seja realizado em cinco anos, conforme os protocolos definidos. A tecnologia utilizada é nacional e foi desenvolvida pelo Instituto de Biologia Molecular do Paraná (IBMP).












