Temporais: em pouco mais de dois meses, Copel substituiu 4.048 mil postes

Eventos climátivos severos associados ao El Niño têm atingido o Estado com frequência, incluindo tornados, chuvas intensas e queda de granizo. Volume de substituições é 40% superior ao número de estruturas similares danificadas por colisões de veículos em todo o Estado ao longo de quase um ano.
Publicação
05/11/2026 - 18:17
Editoria

Confira o áudio desta notícia

Os eventos climáticos severos associados ao El Niño têm causado um rastro de destruição na infraestrutura elétrica do Paraná. Entre setembro e o início de novembro, a Copel substituiu 4.048 postes derrubados pelos temporais, um volume 40% superior ao número de estruturas similares danificadas por colisões de veículos em todo o Estado ao longo de quase um ano.

Desde 1º janeiro até este início de novembro, foram trocadas 2.891 estruturas danificadas por batidas veiculares em todas as cidades paranaenses. Considerado igual tempo de ocorrência dos fenômenos climáticos, de 1.º de setembro a 5 de novembro, foram substituídos 504 postes danificados por acidentes de trânsito no Paraná, o que faz com que percentual de estruturas quebradas pelos temporais seja 703,17% maior do que a das que foram alvo de motoristas.

O comparativo diz respeito apenas aos postes, sem incluir no contexto o conjunto de equipamentos, como transformadores, religadores automáticos, entre outros, além cabos rompidos com a queda dessas estruturas.

“Os efeitos das tempestades quebraram ou derrubaram estruturas inteiras da rede elétrica. Para substituir e aprumar os mais de 4 mil postes afetados pelos eventos recentes, a Copel investiu cerca de R$ 11 milhões, um custo coberto pelos investimentos da companhia em infraestrutura para contingências climáticas”, explica o superintendente de Construção e Manutenção de Redes da Copel, Paulo Valadão.

Segundo ele, a troca de um poste pode levar de três a seis horas, dependendo das condições para a montagem da estrutura, equipamentos instalados e as variáveis externas, como as condições climáticas, de acesso e de terreno. “É um conjunto de situações que tem impacto direto no tempo de execução dos serviços e, consequentemente, da recomposição da rede e o religamento dos clientes", acrescenta.

EVENTOS CLIMÁTICOS - O Paraná tem sofrido os efeitos de uma sequência de eventos climáticos extremos projetados para o último quadrimestre deste ano pelos institutos de meteorologia. Na manhã de segunda-feira (2), Dia de Finados, a cidade de Maringá, no Noroeste, foi atingida por um tornado categoria EF2 na chamada Escala Fujita Aprimorada, com ventos entre 180 km/h e 253km/h.

No pico dos eventos climáticos, por volta das 7h02, perto de 89 mil unidades consumidoras de Maringá (cerca de 40% de toda a cidade) tiveram o fornecimento da energia interrompido pelos efeitos dos temporais que quebraram 372 postes (contabilizados até quinta-feira, dia 5), romperam dezenas de quilômetros de cabos e danificaram equipamentos da rede elétrica.

A classificação dos tornados, conforme a intensidade dos ventos, é feita pela chamada Escala Fujita Aprimorada (Escala EF). EF0, ventos de 105 km/h a 137 km/h; EF1, de 138 km/h a 177 km/h; EF2, de 178 km/h a 218 km/h; EF3, de 219 km/h a 266 km/h; EF4, de 267 km/h a 322 km/h e EF5, acima de 322 km/h.

Por esta escala, esses fenômenos podem ser considerados Leves (EF0 e EF1, com duração de poucos minutos); Fortes (EF2 e EF3, duram mais de 20 minutos) e Violentos (EF4 e EF5, podem durar mais de uma hora).

De acordo com levantamento do Simepar (Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná), de janeiro a novembro, incluindo o evento climático que atingiu Maringá, 13 tornados de categorias entre EF1 e EF2 atingiram regiões distintas do Paraná, tendo sido dois em janeiro, um em fevereiro, seis em junho, um em agosto, dois em setembro e um em novembro.

Além dos tornados, outras condições climáticas como as chamadas correntes de ventos descendentes (downbursts), quedas de granizo e chuvas intensas e intermitentes também atingiram o Estado causando danos à rede elétrica e interrompendo o fornecimento, como a ocorrência de 4 de outubro, primeiro turno das eleições, em que o pico de desligamentos alcançou 325 mil unidades consumidoras no Estado, com o restabelecimento da energia de mais de 90% deste total em menos de 24 horas pelas equipes da Copel.

Em anos recentes houve um aumento considerável em número e na frequência de eventos climáticos severos no Paraná. Entre 2020 e 2022 ocorreram, em média, 12 grandes temporais. Entre 2023 e 2025, o volume de tempestades severas aumentou para 20.

COLISÕES POR VEÍCULOS - A quebra de postes causada por motoristas apresentou queda no comparativo de igual período do ano passado com este ano. De 1º de janeiro a 5 de novembro de 2025, foram 3.116 postes substituídos pela Copel. O ano fechou com 3.610 trocas de postes por colisões de veículos. Neste ano, no mesmo período, foram trocadas 2.891 estruturas deste tipo que dão suporte à rede elétrica, uma diferença de 7,2% a menos do que no ano anterior.

Além dos danos à infraestrutura elétrica, acidentes de trânsito envolvendo postes podem provocar interrupções no fornecimento de energia, afetando residências, comércios, indústrias e serviços essenciais até a conclusão dos reparos pelas equipes da companhia.

GALERIA DE IMAGENS