Unidade de Cuidados Paliativos do Hospital Zona Norte de Londrina completa 10 anos

A unidade é membro do Grupo Técnico do Programa Municipal de Cuidados Paliativos de Londrina, que integra serviços da atenção primária, atenção domiciliar, serviços de urgência e hospitais, para organizar o fluxo destes pacientes na rede de saúde, organizar capacitações e ações de divulgação sobre o assunto.
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26/10/2026 - 12:49
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Comemorado em outubro, o Dia Mundial de Cuidados Paliativos tem como intuito difundir a importância do acesso a este cuidado no sistema de saúde. Em alusão à data, o Hospital Zona Norte de Londrina (HZNL), que neste ano comemorou uma década de funcionamento da Unidade de Cuidados Paliativos, realizou um evento que uniu o resgate da trajetória durante estes 10 anos, informações técnicas e planejamentos futuros desta abordagem para o hospital.

A Unidade de Cuidados Paliativos iniciou as atividades em abril de 2016, por iniciativa dos profissionais de saúde da instituição e de uma comissão interna de Cuidados Paliativos, com a implantação de uma enfermaria com suporte terapêutico específico para condições de saúde que ameaçam vida, com a possibilidade de trazer sofrimento a pacientes com doenças graves.

Atualmente, o setor conta com duas enfermarias, com oito leitos exclusivos, equipe multiprofissional e apoio de voluntários. A unidade também é membro do Grupo Técnico do Programa Municipal de Cuidados Paliativos de Londrina, que integra serviços da atenção primária, atenção domiciliar, serviços de urgência e hospitais, para organizar o fluxo destes pacientes na rede de saúde, organizar capacitações e ações de divulgação sobre o assunto.

“Esta unidade do Hospital Zona Norte de Londrina foi uma das primeiras de internação exclusiva para esta modalidade no Paraná. Tem o objetivo de aliviar os sintomas, melhorar a qualidade de vida e promover a autonomia da pessoa adoentada, além de apoiar os cuidadores e as famílias envolvidas. Nossa intenção é seguir fortalecendo essa política pública valiosa para quem está em um momento terminal”, afirmou o secretário de Estado da Saúde, César Neves.

DIGNIDADE - Em 08 de outubro, um evento no HZNL uniu o resgate da trajetória de uma década, informações técnicas e planejamentos futuros desta abordagem para o hospital. Uma das histórias resgatadas é de 2018, de Wilson de Souza que, na época, estava com 80 anos.

Com problemas no coração e um câncer de próstata já avançado, ele passou mal e foi levado ao Hospital Zona Norte. Como sua situação foi piorando, a equipe médica chamou Eunice Aparecida Souza, filha dele, para conversar e apresentar a Unidade de Cuidados Paliativos. 

“A princípio a gente não entende o que é cuidado paliativo, como funciona, mas o jeito do médico explicar sobre isso acalmou meu coração, tranquilizou a minha família, e a gente aceitou a proposta. Ele me fez entender que esse tratamento não é com medicamento, é com sentimento, que abraça, com dedicação, enfim, é um cuidado especial para que o paciente não sofra, nem tenha muita dor”, diz Eunice.

“O que eu e a minha família sentimos nesse período que meu pai precisou, se faz necessário para o familiar que tem um paciente nessa situação. Porque a gente nunca pode falar que não tem o que fazer, sempre tem o que fazer”, destacou ela.

Eunice disse ainda que, sempre que fala nesse assunto e conta a experiência com seu pai, ela agradece. “Vi a evolução do carinho, do cuidado, para mim é inexplicável, não dá para medir. O paliativo é um tratamento do coração, do amor e do acolhimento do paciente e também da família que se sente apoiada em todos os sentidos”.

“O tratamento que meu pai teve no hospital durante o tempo que ficou internado foi diferenciado. Meu pai ficou internado por um mês e morreu com dignidade”, finalizou.

Mary Mishina Okano, diretora de Enfermagem do Hospital Zona Norte, ressaltou o compromisso da equipe com esse serviço ao longo dos últimos 10 anos. “Têm sido anos de um trabalho humano, sensível, dedicado e necessário. Feito com muita competência, muita ética, acolhimento e, acima de tudo, respeito à vida e à dignidade de cada pessoa cuidada”.

Ela acrescenta que cuidar vai muito além de tratar uma doença. “É olhar para aquela pessoa, enxergar seus medos, ouvir seus desejos, acolher sua família e entender que, por trás de cada paciente, existe uma história, existem sentimentos. Os cuidados paliativos nos ensinam algo muito importante: nem sempre podemos curar, mas sempre podemos cuidar. Nem sempre podemos mudar o rumo de uma doença, mas podemos mudar a forma como alguém atravessa esse momento”.

NA REDE PÚBLICA DO PARANÁ - Entre janeiro e agosto deste ano, segundo levantamento da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), houve 2.669 atendimentos voltados a cuidados paliativos em todo o Paraná, na Atenção Primária à Saúde prestada nos municípios. Só em Londrina foram 144 atendimentos no mesmo período. Os dados foram extraídos do Sistema de Informação em Saúde para a Atenção Básica (Sisab).

No Brasil, em 2024, foi publicada a Política Nacional de Cuidados Paliativos (PNCP) que prevê a implantação de equipes habilitadas em diferentes modalidades no Sistema Único de Saúde (SUS). O Paraná conta com dez equipes matriciais de cuidados paliativos qualificadas da PNCP, compostas por médicos, enfermeiros, assistentes sociais, psicólogos e técnicos de enfermagem.

Essas equipes não focam apenas no atendimento direto, mas também na educação continuada para a capacitação de agentes locais de saúde para identificar os pacientes que possam ser tratados com essa abordagem.

O Paraná possui cerca de 10 mil profissionais de saúde da Rede de Atenção capacitados para o atendimento e mais de 2 mil gestores já foram sensibilizados sobre a importância do tema. A Sesa-PR também trabalha na construção do Plano Estadual de Cuidados Paliativos.

“O Paraná, pelo segundo ano consecutivo, se destaca no cenário nacional com relação aos atendimentos desta área, e há a perspectiva de ampliar o acesso a esta abordagem em todo o Estado, nos próximos anos. Incentivamos a capacitação de mais profissionais, a formação de equipes multiprofissionais na rede pública, e a participação também de projetos nacionais sobre essa abordagem, justamente para que estejam aptos a lidar com a complexidade das condições graves, agudas ou crônicas, que causam sofrimento aos pacientes acometidos”, ressaltou o secretário César Neves.

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