Acervo: madeiras retiradas do Reservatório Miringuava formarão primeira xiloteca caiçara do Paraná

01/06/2026
A Sanepar destinou madeiras retiradas durante a implantação do Reservatório Miringuava para a criação da primeira xiloteca caiçara do Paraná, uma coleção catalogada de amostras de madeira. O projeto é desenvolvido em parceria com a Universidade Federal do Paraná, no Litoral, e com a Associação de Cultura Popular Mandicuera, unindo preservação ambiental, educação e valorização da cultura caiçara. O material dará origem a 3 coleções: uma para a Sanepar, outra para o Museu de Arqueologia e Etnologia da UFPR e uma terceira para a Associação Mandicuera. Segundo o engenheiro florestal Aurélio Lourenço Rodrigues, a iniciativa ajuda a preservar a memória das principais espécies de árvores da região do reservatório. // SONORA AURÉLIO RODRIGUES //
Ao todo, foram catalogadas 44 espécies de madeira. Entre elas estão o cedro rosa, bastante utilizado na fabricação de móveis e na construção de casas caiçaras, o carvalho e a casca de anta, uma espécie conhecida pelo uso tradicional na cicatrização de ferimentos por animais da fauna local. A criação da xiloteca era um antigo projeto do mestre Aorélio Domingues, fundador da Associação Mandicuera. O objetivo é preservar e transmitir às novas gerações o conhecimento tradicional sobre as madeiras utilizadas pelas comunidades caiçaras. Segundo ele, esta será a primeira xiloteca do Litoral paranaense. // SONORA AORÉLIO DOMINGUES //
A professora Andressa Tavares, da UFPR Litoral e coordenadora do projeto, destaca que a iniciativa aproxima o conhecimento científico dos saberes tradicionais das comunidades da região. // SONORA ANDRESSA TAVARES //
O processo envolve corte, beneficiamento e catalogação das madeiras, identificadas pelo nome popular, nome científico e local de origem. Com apoio técnico da UFPR Litoral, as peças destinadas à Sanepar e ao museu já foram produzidas. A próxima etapa será preparar o material que ficará na Associação Mandicuera, com características específicas para tornar o conhecimento tradicional ainda mais acessível ao público. (Repórter: Gabriel Ramos)