Brigadistas indígenas ajudam a conservar o patrimônio natural do Paraná

09/08/2023
A enfermeira Cleonice Pacheco Amorim, de 46 anos, trabalha na Casa de Saúde Indígena. Mas além dos cuidados com os pacientes, ela abraçou mais uma responsabilidade: ser brigadista voluntária contra incêndios na Floresta Estadual Metropolitana, em Piraquara, cidade vizinha à capital paranaense. Ela e mais seis membros da comunidade indígena que residem na floresta foram preparados há um ano pelo IAT, Instituto Água e Terra, e pelo Corpo de Bombeiros do Paraná para atuarem no enfrentamento ao fogo nas Unidades de Conservação do Estado. Uma história que ajuda a celebrar o Dia Internacional dos Povos Indígenas, comemorado nesta quarta-feira. Ela é da origem Guarani Ñandeva, que ao lado de outros 42 indígenas das etnias Kaingang, Tukano e Terena, formam a comunidade que administra a Floresta Estadual Metropolitana. Gestão compartilhada com base em um Termo de Cooperação entre o IAT e o Instituto e Centro de Formação Etno Bio Diverso Angelo Kretã – a formalização da parceria se deu no 19 de abril de 2023, com a assinatura do governador Carlos Massa Ratinho Junior. Cleonice conta que o curso somou ao entendimento que os indígenas já tem e ampliou o conhecimento. // SONORA CLEONICE PACHECO //

Munidos com abafadores e bombas d’água fornecidos pelo IAT, Cleonice conta que grupo de brigadistas indígenas precisou agir em julho deste ano para impedir que um incêndio avançasse floresta a dentro. // SONORA CLEONICE PACHECO //

De acordo com o líder da comunidade indígena, Kretã Kaingang, graças ao olhar atento dos moradores já se percebe a restauração da floresta em alguns pontos. // SONORA KRETÃ KAINGANG //

Para o diretor de Patrimônio Natural do IAT, Rafael Andreguetto, a atuação de todos os brigadistas voluntários, sejam indígenas ou não, é fundamental para o desenvolvimento sustentável do Estado. // SONORA RAFAEL ANDREGUETTO //

O coronel Antônio Hiller, do Comando do Corpo de Bombeiros do Paraná, também destaca o apoio dos brigadistas voluntários no combate ao fogo. // SONORA ANTÔNIO HILLER //

Atualmente, o Paraná conta com cinco brigadas de incêndio e 200 voluntários com formação atuando em diferentes pontos do Estado. Além disso, um novo grupo está em processo de capacitação. Trabalhando em coparticipação com o IAT na gestão do parque, a comunidade indígena intensificou as ações no local. Outro ponto é garantir o restauro ambiental e ampliar a área com vegetação nativa. De acordo com os indígenas, grande parte do parque é tomada por espécimes de flora exótica, como pinus e eucalipto. Apenas 20% são de floresta nativa, com árvores como araucária, flora originária da Mata Atlântica. Para celebrar o Dia Internacional dos Povos Indígenas, Cleonice e toda a comunidade indígena da Floresta Estadual Metropolitana estendem o convite para quem quiser participar das festividades que serão nesta quarta e quinta-feira. E de acordo com os dados do censo de 2022 divulgados nesta segunda-feira pelo IBGE, o Paraná tem 30 mil 460 indígenas autodeclarados. (Repórter: Nathália Gonçalves)