Com apoio do Estado, primeira paciente do Paraná recebe coração artificial pelo SUS

10/06/2026
A Secretaria de Estado da Saúde viabilizou o encaminhamento da primeira paciente paranaense a receber um coração artificial pelo SUS. Andressa Fátima Reinaldi Banach, de 38 anos, moradora de São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, foi submetida à cirurgia de implante do dispositivo de assistência ventricular HeartMate 3 no dia 12 de maio, no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, e recebeu alta do Hospital do Rocio no dia 29 de maio. Andressa sofria de insuficiência cardíaca grave com dilatação progressiva do ventrículo esquerdo, que havia perdido a capacidade de bombear sangue. A paciente possuía contraindicação para o transplante cardíaco tradicional em razão do alto grau de sensibilização prévia, ocorrido durante gestações anteriores, e incompatibilidade com 99% de potenciais doadores. Ou seja, o implante do coração artificial representava a única alternativa terapêutica viável para a vida dela. O secretário de Estado da Saúde, César Neves, classificou o caso como um marco para a saúde pública paranaense. // SONORA CÉSAR NEVES //

O encaminhamento exigiu coordenação entre diferentes níveis de atenção. Andressa deu entrada inicialmente no Hospital Angelina Caron, em Campina Grande do Sul, em agosto de 2024, após complicações na gestação do quinto filho. Após o parto, a situação se agravou. A paciente permaneceu extremamente debilitada e incapaz de cuidar do filho recém-nascido. Ela manteve o tratamento no Hospital Angelina Caron até fevereiro de 2025, quando foi encaminhada para o Hospital do Rocio, em Campo Largo, onde fez o acompanhamento cardiológico especializado com o objetivo de buscar um transplante de coração. Andressa ressaltou a gratidão pelo tratamento que recebeu das médicas. // SONORA ANDRESSA FÁTIMA REINALDI BANACH //

A médica cardiologista especialista em insuficiência cardíaca e transplantes do Hospital do Rocio, Aline Carbonera, afirmou que Andressa foi otimizada da melhor maneira possível com medicações, mas a doença se tornou refratária, ou seja, parou de responder ao tratamento. // SONORA ALINE CARBONERA //

Após a cirurgia em São Paulo, a equipe recebeu Andressa e a irmã dela, Natally, no aeroporto do Bacacheri, em Curitiba, pelo serviço aeromédico da Secretaria da Saúde, e seguiram com a paciente para um novo internamento no Hospital do Rocio para o acompanhamento pós-operatório, estabilização e cuidados. Antes da cirurgia, a equipe do Hospital do Rocio passou por capacitação intensiva para receber a paciente após o transplante e inserção do equipamento. O diretor-técnico do Hospital do Rocio, Kengi Itinose, destacou que a instituição já faz transplantes cardíacos desde 2015, mas o dispositivo artificial exigiu uma preparação específica. // SONORA KENGI ITINOSE //

A expectativa é que, após a cirurgia e o período de adaptação, a paciente possa retomar atividades cotidianas com autonomia, seguindo protocolos específicos de acompanhamento. (Repórter: Gustavo Vaz)