Com queda de 54%, Paraná foi o estado que mais reduziu o desmatamento ilegal da Mata Atlântica

28/07/2023
O Paraná foi o estado que mais reduziu o desmatamento ilegal da Mata Atlântica no País nos primeiros cinco meses de 2023. A área de vegetação suprimida passou de mil e 800 hectares para 860 hectares no comparativo com o mesmo período do ano passado, uma queda de 54%. Minas Gerais, Santa Catarina e Bahia também apresentaram diminuições significativas. Na média, a área desflorestada do bioma no Brasil foi de 7 mil e 88 hectares, antes 12 mil 166 hectares registrados entre janeiro e maio de 2022, uma redução de 42%. O levantamento é do Sistema de Alertas de Desmatamento Mata Atlântica, uma parceria da Fundação SOS Mata Atlântica, Arcplan e a plataforma colaborativa Mapbiomas, especializada em meio ambiente. Everton Souza, diretor-presidente do IAT, Instituto Água e Terra, destaca que o Paraná fez do combate ao desmatamento ilegal uma obsessão. // SONORA EVERTON SOUZA //

Ele lembrou que as análises mensais do Núcleo de Inteligência Geográfica e da Informação do instituto já vinham apontando a curva descendente da supressão vegetativa no Paraná. Citou como exemplo o relatório divulgado no mês passado pelo mesmo MapBiomas, que mostrou a diminuição de 42% entre 2021 e 2022 no Estado, a segunda maior redução do País. // SONORA EVERTON SOUZA //

O combate ao desmatamento se tornou muito mais intenso nos últimos anos no Paraná, realizado diariamente por cerca de 600 pessoas em todo o Estado, com a coordenação do IAT. Os números mostram uma evolução ano a ano, saltando de 1 mil 168 Autos de Infração Ambiental em 2018 para 3 mil 433 em 2022. Foram outros 2 mil 117 apenas no primeiro semestre deste ano. O cuidado com o bioma natural paranaense ganhou apoio significativo da tecnologia nos últimos anos. O instituto ambiental do Estado passou a fiscalizar supressões de floresta natural a partir de alertas gerados por imagens de satélite. Os Alertas MapBiomas são publicados na Plataforma MapBiomas Alerta e, a partir deles, o Núcleo de Inteligência Geográfica analisa as imagens mais recentes, que tem um "delay" de cerca de um mês. Essa investigação resulta na elaboração de laudos técnicos com a delimitação da área do desmatamento, os possíveis autos de infração e áreas embargadas. Além disso, a tecnologia permite verificar o licenciamento dos imóveis e também sua sobreposição com Áreas de Preservação Permanente e Reserva Legal. A plataforma busca identificar desmatamentos e movimentações de solo ilegais no Paraná utilizando imagens de alta resolução, o que permite a detecção de áreas menores que um hectare, e praticamente em tempo real, o que pode levar policiais e fiscais a áreas sensíveis cada vez mais cedo. O Estado também está investindo na implementação do Sistema de Fiscalização e Controle Ambiental e outras aplicações geoespaciais. O Sistema deve começar a funcionar em 2024 e vai modernizar todo o processo de gestão dos autos de infração, incorporando controle de todas as fases processuais em um ambiente web, integrando todos os sistemas do IAT, como o licenciamento ambiental, a outorga do uso da água e o de monitoramento. E o Paraná foi o único estado do Sul do País com aumento de cobertura vegetal no período. A denúncia é a melhor forma de contribuir para minimizar cada vez mais os crimes contra a flora silvestre. O principal canal do Batalhão Ambiental é o Disque-Denúncia 181. (Repórter: Nathália Gonçalves)