Downburst: Simepar detalha fenômeno que atingiu Campina Grande do Sul e Sudoeste

20/02/2026
A primavera e o verão são estações em que as tempestades são frequentes. No verão elas ocorrem de forma mais localizada, e geralmente no horário de maior aquecimento. Na última semana, em que principalmente a faixa oeste do Paraná vivenciou dias de calor intenso, várias tempestades severas foram registradas, algumas incluindo casos que os meteorologistas chamam de downburst.  Foi o que ocorreu em Campina Grande do Sul, na tarde da última terça-feira. Um volume de chuva de cerca de 59 mm foi registrado entre as cinco horas da tarde e as nove da noite na estação hidrológica do Simepar na represa do Capivari, sendo 46 mm dessa quantidade em apenas meia hora. O coordenador de operações do Simepar, Marco Jusevicius, detalha o que é o downburst, neste caso, uma microexplosão. // SONORA MARCO JUSEVICIUS //

A chuva em Campina Grande do Sul veio acompanhada de uma forte rajada de vento, que atingiu em específico um conjunto comercial que fica atrás de um posto de combustíveis às margens do km 48 da BR-116. O telhado colapsou, atingindo caminhões e carros, mas ninguém se feriu.  A equipe do Simepar analisou imagens de satélite, radares e sensores de raios, para estudar a movimentação da tempestade. Nenhum indício de vento em rotação foi encontrado. Na manhã seguinte, o coordenador de operações Marco Jusevicius e o gerente de Infraestrutura e Hidrologia, José Eduardo Gonçalves, sobrevoaram a região do posto com um drone adquirido pelo Simepar com recursos da Secretaria de Estado da Inovação e Inteligência Artificial. O drone é equipado com um sensor que faz mapeamentos. Marco conta que o equipamento mapeou uma área de 180 hectares ao redor da área atingida, em oito metros por segundo de velocidade, durante 40 minutos. // SONORA MARCO JUSEVICIUS //

O downburst causa danos em áreas muito pequenas, inferiores a 4 km de comprimento, como foi o caso de Campina Grande do Sul, o que pode ser chamado de microburst. Em áreas maiores, superiores a 4 km de comprimento, ele classifica como macroburst.  Os danos causados em superfície são diferentes dos danos de um tornado, entretanto podem ser tão destrutivos quanto. Na quarta-feira, mais tempestades foram registradas no Paraná. Em Maripá, dados de radar permitiram estimar volumes de chuva em torno de 50 mm em curto espaço de tempo, acompanhados de rajadas de vento entre 60 km/h e 70 km/h. Cidades como Manoel Ribas, Realeza, Jardim Alegre e Quedas do Iguaçu também registraram temporais e vento forte, que derrubou árvores, destelhou casas e danificou estruturas como silos e barracões.  Assim como em Campina Grande do Sul, analisando imagens de radar, de satélite e as fotos e vídeos dos locais atingidos, em nenhuma destas ocorrências foram identificados até o momento sinais que apontassem para a ocorrência de um tornado. As tempestades tiveram registros de downdraft, ou seja, fortes rajadas de vento descendo da nuvem. Os dados de radar em todas as cidades citadas, na tarde de quarta-feira, são compatíveis com downburst. (Repórter: Gustavo Vaz)