Mapeamento balístico da Polícia Científica amplia análises sobre ocorrências com armas
12/01/2026
Antes de ser apreendida, uma arma de fogo pode percorrer um longo caminho. Essa circulação, que muitas vezes acontece sem registro formal, faz com que um mesmo armamento apareça em situações distintas e acabe associado a diferentes ocorrências. Compreender esse percurso é fundamental para revelar como essas armas se movimentam e de que forma podem estar relacionadas a mais de uma investigação. Hoje, com o uso de tecnologias e sistemas integrados de comparação, como o Sistema Nacional de Análise Balística e o Banco Nacional de Perfis Balísticos, a perícia consegue identificar quando uma mesma arma aparece em vários casos. Esses mapas indicam as ligações de diferentes ocorrências, apontando, inclusive, a marca, modelo, calibre, possíveis importadores e rotas de circulação. A integração entre bancos de dados também favorece a identificação de vínculos interestaduais, permitindo, por exemplo, que uma arma registrada no Paraná seja relacionada a ocorrências em outras unidades da Federação. Os vestígios balísticos coletados em locais de crime, em exames de necropsias ou em atendimentos hospitalares são preservados em embalagens lacradas, identificados e registrados no Sistema Gestor de Documentos e Laudos da Polícia Científica. Em seguida, passam pelo exame de caracterização, etapa que identifica calibre, medidas e demais características relevantes. Depois, o material pode seguir para a comparação balística, feita com equipamentos especializados capazes de ajudar na identificação das marcas microscópicas únicas deixadas no projétil ou estojo pelo funcionamento da arma. Em agosto passado, a Polícia Científica recebeu uma placa de reconhecimento por atingir a marca de 750 “matchs” entre projéteis, estojos e padrões de armas de fogo apreendidas. Os números consideram os dados desde o início da implantação do Sistema Nacional de Análise Balística, em 2022, e representam cerca de 13% de todas as compatibilidades registradas no País. O marco mantém o Paraná no segundo lugar nacional, atrás apenas do Rio Grande do Norte. (Repórter: Gustavo Vaz)


