PCPR prende investigado por fraudar acesso à Justiça no Paraná e outros Estados

10/06/2026
A Polícia Civil do Paraná prendeu um homem suspeito de se infiltrar de forma fraudulenta em sistemas de justiça de diversos estados e estabelecer conexões com o crime organizado. A prisão aconteceu nesta quarta-feira, em Fortaleza, com o apoio da Polícia Civil do Ceará. A investigação começou quando foi constatado o uso de identidades falsas e tecnologias de certificação digital para driblar a segurança institucional de tribunais e parlatórios virtuais. Entre os crimes apurados estão falsidade ideológica e uso de documento falso, além de colaboração com organizações criminosas. A Polícia Civil identificou que o investigado teria acessado ilegalmente ao menos 80 processos de execução penal no Paraná e fez 118 atendimentos virtuais a detentos em unidades prisionais de Santa Catarina utilizando credenciais falsas. A Polícia Civil também verificou que o suspeito mantinha contato direto com lideranças de uma organização criminosa catarinense. Usando um falso perfil profissional, oferecia serviços ilícitos à cúpula da organização, incluindo a promessa de transferências de presos mediante pagamentos de até 200 mil reais. O delegado da Polícia Civil, Emmanoel David, explica que o acusado dizia ter contatos fortes para acessar esses processos. // SONORA EMMANOEL DAVID //

Além de usar indevidamente o registro profissional de um advogado de São Paulo, o investigado chegou a atuar formalmente em tribunais. No Tribunal de Justiça do Ceará, ele fez uma sustentação oral em causa própria durante uma sessão da Terceira Câmara Criminal, se valendo da identidade falsa. Em 2016, chegou a ser preso em flagrante portando documentos em nome de um então deputado federal. Para dificultar o rastreamento policial, o investigado alterou legalmente o nome dele no registro civil. A operação também confirmou que ele fazia uso de dois números de CPF distintos, sendo um ativo e regular e outro suspenso, alternando os dados conforme a necessidade da fraude. O preso possui registros criminais desde a década de 1990. No ano 2000, foi acusado de aplicar golpes contra bancos no Brasil e no exterior que somaram aproximadamente 30 milhões de dólares. Em 2001, foi apontado como o mentor de uma quadrilha que tentou clonar o cartão de crédito de um então governador de estado. (Repórter: Gustavo Vaz)