Paraná é o 1º estado a usar Inteligência Artificial do Google no tratamento do câncer

18/06/2026
Desde abril, o Hospital do Câncer de Londrina e o Hospital São Vicente, em Guarapuava, usam a ferramenta Capricórnio, do Google, para acelerar a identificação de terapias oncológicas de forma personalizada. Dois meses depois, os resultados começam a aparecer e podem transformar tratamentos. Com a ferramenta, criada pela gigante de tecnologia em parceria com o Princess Máxima Center, situado na Holanda e considerado o maior centro de Oncologia Pediátrica da Europa, o médico consegue organizar e relacionar informações do paciente em um tempo muito menor do que os processos tradicionais. Na prática, o profissional cruza as informações obtidas por meio do PubMed com dados do paciente. Depois, o Capricórnio levanta métricas e indicadores de artigos científicos e apresenta possibilidades terapêuticas personalizadas para aquele caso. Segundo o diretor médico do Hospital do Câncer de Londrina, Bruno Bressanini de Almeida, a pesquisa em bancos de dados durava, em média, uma semana antes da chegada da tecnologia. // SONORA BRUNO BRESSANINI DE ALMEIDA //

Depois do levantamento científico, os profissionais envolvidos no cuidado se reúnem para tomar uma decisão. Um dos casos debatidos com a IA foi o de Ana Beatriz Carvalho, de 42 anos. Há três anos, ela acompanha um tumor com origem nas células do sistema neuroendócrino. Recentemente, três pequenas lesões foram localizadas no fígado da paciente. Segundo o chefe da Oncologia Clínica do hospital, Everton Germano Araújo Melo, os médicos decidiram manter a terapia principal, que são injeções mensais que controlam o crescimento do tumor, e optaram por remover as novas lesões. // SONORA EVERTON GERMANO ARAÚJO MELO //

Para a paciente, o avanço tecnológico é importante por oferecer sobrevida e esperança. // SONORA ANA BEATRIZ CARVALHO //

Por meio do Capricórnio, os profissionais têm acesso às atualizações da medicina em todo o mundo. A especialista em Inovação e Saúde Digital para o Brasil no Google Cloud, Priscila Cruzatti, reforça que a decisão final do tratamento continua sendo do médico. // SONORA PRISCILA CRUZATTI //

A escolha dos dois hospitais paranaenses foi por serem referências na área, pela integração ao SUS e pela oportunidade de ampliar o atendimento de qualidade no Interior. A implantação faz parte de uma agenda do Estado voltada à aplicação de soluções de inteligência artificial, pelo programa Transforma IA. Conforme o secretário Estadual da Inovação e Inteligência Artificial, Marcos Stamm, a ideia é expandir a tecnologia para outros hospitais. // SONORA MARCOS STAMM //

Na saúde, o uso de inteligência artificial envolve protocolos rigorosos de governança, proteção de dados pessoais, rastreabilidade e supervisão médica. A ferramenta utiliza apenas informações anônimas, seguindo diretrizes de segurança e conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados. Os modelos de projetos são disponibilizados ao Estado por meio do contrato da Secretaria da Inovação com a Celepar. (Repórter: Gustavo Vaz)