Parceria internacional do IAT viabiliza pesquisa de campo com árvores nativas da Ilha do Mel

11/08/2023
Quase 300 árvores nativas da comunidade Vila Brasília, na Unidade de Conservação da Ilha do Mel, em Paranaguá, no Litoral, foram catalogadas de forma colaborativa por meio de uma parceria entre o IAT, Instituto Água e Terra, a Universidade Federal do Paraná e a Universidade do Leste da Finlândia em Joensuu. O projeto faz parte do programa de mestrado da estudante Silvia Ureta, de 27 anos, engenheira florestal guatemalense graduada na Universidade Rafael Landívar, na Cidade da Guatemala. A expedição pela ilha, realizada entre junho e julho deste ano, resultou em uma robusta base de dados que será utilizada para fomentar ações futuras de conservação ambiental na região. Ela foi uma das selecionadas para participar do projeto de mestrado da Universidade do Leste da Finlândia em Ciências Florestais Europeias, uma proposta bastante concorrida, realizada de forma integrada por universidades da Alemanha, Áustria, Romênia, França, Espanha e Finlândia, além de programas associados de instituições do Brasil, Canadá e China. Como parte da grade curricular do programa, os estudantes devem passar por um período de estágio prático de dois meses, podendo escolher entre múltiplos locais de atuação conectados com as entidades parceiras da iniciativa. Silvia conta que foi a primeira mestranda que decidiu fazer o estágio na Ilha do Mel. // SONORA SILVIA URETA //

Para os procedimentos, ela se baseou em um inventário das espécies de árvores existentes na ilha e também em informações das comunidades de moradores da Unidade de Conservação, levantamento organizado pelo IAT. Por conta do tempo limitado da pesquisa, decidiu focar nas espécies florestais de 41 dos 97 lotes da Vila Brasília, selecionados por amostragem, com a anuência dos moradores locais. Ao final do período de estágio, as informações coletadas pela estudante foram transformadas em uma base de dados que será utilizada pelo IAT para guiar futuras ações de conservação na região. No total, foram catalogadas 299 plantas, um valor que corresponde a 42% das árvores da comunidade. E a ideia é que a pesquisa de Silvia seja o primeiro passo para a sequência da digitalização das árvores das outras comunidades da ilha, como explica o professor de Engenharia Florestal da UFPR, Renato Robert, um dos responsáveis pelo intercâmbio com a Universidade. // SONORA RENATO ROBERT //

A mestranda reforça a importância do prosseguimento do trabalho de catalogação das espécies da Ilha do Mel. // SONORA SILVIA URETA //

Além das árvores, a mestranda aproveitou o período de estágio para conduzir mais duas iniciativas na região. A primeira foi um levantamento sobre a quantidade de bichos de estimação presentes na comunidade, já que a proliferação desenfreada desses animais também pode impactar o meio ambiente. Para colaborar e diminuir o impacto na localidade, o Programa Permanente de Esterilização de Cães e Gatos, mais conhecido como CastraPet Paraná, prevê ações para a Ilha do Mel durante o quarto ciclo do projeto, previsto para começar nos próximos meses. A outra linha de atuação foi um trabalho de educação ambiental desenvolvido em uma das escolas do Litoral. (Repórter: Nathália Gonçalves)