Após mais de uma década em hemodiálise e sucessivas tentativas sem sucesso, Augusto Cezar Zapello, de 34 anos, morador de Toledo, no Oeste do Paraná, finalmente recebeu um rim compatível e passou pelo transplante, marcando o início de uma nova etapa após 11 anos de espera. O processo do transplante ocorreu há cerca de quatro meses, em 17 de fevereiro, no hospital Angelina Caron, em Campina Grande do Sul, Região Metropolitana de Curitiba. E, na 10ª tentativa, a vida de Augusto mudou.
A trajetória de Augusto reflete os avanços do Paraná na área de transplantes, resultado do trabalho integrado entre as equipes de saúde, central de transplantes, organizações de procura de órgãos, hospitais notificantes, serviços transplantadores e uma estrutura logística capaz de conectar, em poucas horas, doadores e receptores em diferentes regiões do Estado.
Foram anos marcados por consultas, tratamentos e pela expectativa de um transplante. Desde 2015, com o agravamento da doença, as nove tentativas para o procedimento não tiveram sucesso por incompatibilidade ou estado de saúde do paciente. “Foi muito rápido. No momento que me ligaram, em Toledo, logo disponibilizaram um transporte e em menos de 24 horas já estava com um novo rim. Hoje posso estar celebrando um novo recomeço da minha vida, uma nova chance de sonhar, de viver com novos planos”, conta.
Para o secretário de Estado da Saúde, César Neves, cada transplante realizado representa o esforço conjunto de uma ampla rede de profissionais e instituições. “Transplantes salvam vidas e representam uma nova oportunidade para milhares de pessoas. O Estado investe continuamente em estrutura, qualificação profissional e logística para fortalecer essa rede e ampliar o acesso dos pacientes a esse tratamento”, afirma.
O pós-transplante ainda requer alguns cuidados. Em fase de recuperação, dia a dia ele constrói um novo recomeço e incentiva outras pessoas que fazem algum tipo de tratamento similar a não desistirem. “Nunca percam a fé e a esperança que algum dia chega a sua hora, então vamos seguir firme e forte”, acrescenta o secretário.
APOIO LOGÍSTICO E INTEGRAÇÃO – A eficiência logística é crucial para garantir agilidade. O governo estadual disponibiliza infraestrutura aérea e terrestre para o transporte de órgãos, incluindo veículos próprios do Sistema Estadual de Transplantes (SET/PR) e aeronaves para transporte emergencial.
Os dados de 2025 do Registro Brasileiro de Transplantes (RBT), elaborado e divulgado pela Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), confirmam o protagonismo do Estado em relação às doações e transplantes de órgãos. Esse último boletim da RBT apontou 2.255 transplantes em números absolutos, entre órgãos e tecidos, sendo 460 de rim; 293 de fígado, 31 de coração, 1.066 de córnea e 405 de medula.
A coordenadora do SET, Juliana Ribeiro Giugni, ressalta a importância da agilidade no processo. “Os pacientes que aguardam estão, muitas vezes, em situação de vida ou morte. Quando conseguimos reduzir o tempo de transporte, aumentamos a chance de que esse órgão realmente chegue e seja aproveitado”, afirma.
“O tempo de espera varia de acordo com o órgão, o tipo sanguíneo, a urgência do caso e a compatibilidade. Alguns pacientes em estado crítico podem ser chamados em dias ou semanas. Em 2025, a média de espera para coração foi de 16 meses, fígado, 4 meses, rim, 20 meses e córnea 8 meses”, diz Juliana.
No Paraná, atualmente, o SET está estruturado com 108 hospitais notificantes (autorizados pelo Ministério da Saúde a identificar, manter e notificar à Central Estadual de Transplantes a existência de potenciais doadores de órgãos e tecidos) e 71 comissões instituídas, que são equipes multiprofissionais compostas por médicos, enfermeiros, psicólogos e assistentes sociais, que organizam e gerenciam o processo de doação dentro dos hospitais.
Além disso, são mais 37 equipes transplantadoras de órgãos (pulmão, coração, fígado, pâncreas e rim) e 84 de tecidos (medula, córnea, válvula cardíaca, pele e tecido ósseo), formadas por grupos especializados de profissionais de saúde, autorizados pelo Sistema Nacional de Transplantes (SNT), responsáveis por realizar as cirurgias de remoção (captação) de órgãos de um doador e o implante (transplante) no paciente receptor.
“Sou grato a toda a equipe médica que tornou esse milagre possível, por eles serem muito atenciosos, cuidadosos, ótimos profissionais. Eu tenho minha eterna gratidão à família do doador pelo gesto de amor, proporcionado uma nova vida para outra pessoa”, afirmou Augusto.






