Copel amplia discussões sobre usinas reversíveis e desafios da segurança energética

A Copel reuniu nesta semana, em Brasília, autoridades, reguladores e especialistas do setor elétrico para discutir o papel das Usinas Hidrelétricas Reversíveis (UHRs) na segurança energética do País. O encontro abordou temas como armazenamento, mercado e segurança do sistema, além das melhores formas de contratação de capacidade.
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27/05/2026 - 16:40
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A Copel reuniu nesta semana, em Brasília, autoridades, reguladores e especialistas do setor elétrico para discutir o papel das Usinas Hidrelétricas Reversíveis (UHRs) na segurança energética do País. O encontro abordou temas como armazenamento, mercado e segurança do sistema, além das melhores formas de contratação de capacidade, diante do avanço das fontes renováveis e das mudanças no perfil de operação do sistema elétrico brasileiro. 

“A gente saiu de um desafio de gerar energia para um desafio mais complexo, que é deslocar geração e consumo no tempo com segurança, e, nesse cenário, o armazenamento hidráulico é central, porque o Brasil combina recursos naturais, conhecimento acumulado e escala para entregar flexibilidade e estabilidade ao sistema”, disse o secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Gustavo Ataíde. 

Para o diretor da Aneel, Gentil Nogueira, o país possui potencial relevante para avançar no armazenamento, mas ainda enfrenta entraves. “Os estudos mais recentes indicam um potencial relevante para o armazenamento no Brasil, na ordem de 30 a 40 GW, podendo ser ainda maior”, afirmou. 

Ao comentar os avanços recentes, Gentil ressaltou o papel do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), responsável por definir diretrizes para o setor. “As resoluções do Conselho Nacional de Política Energética representam um primeiro passo importante ao reposicionar essa tecnologia no centro da política pública, alinhando planejamento, regulação e mercado. A proposta é criar previsibilidade e viabilizar projetos por meio de processos competitivos que valorizem atributos como potência, flexibilidade e serviços ao sistema", disse. 

"Ainda há desafios significativos, sobretudo regulatórios e econômicos, incluindo a definição de critérios claros para contratação de atributos além da energia, como flexibilidade e inércia. No entanto, o avanço desse debate é essencial para que o setor elétrico consiga incorporar soluções de armazenamento de forma eficiente e sustentável no longo prazo”, afirmou. 

Ao longo do debate, representantes do setor destacaram o papel das usinas reversíveis como alternativa para ampliar a capacidade de armazenamento de energia e reforçar a segurança do sistema elétrico, especialmente em um cenário de maior participação de fontes renováveis. 

A gerente executiva do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Maria Aparecida Martinez, ressaltou os impactos dessa transformação na operação do sistema. “A evolução da matriz energética, com o avanço expressivo das fontes renováveis como solar e eólica, é extremamente positiva, mas traz consigo desafios estruturais importantes. A necessidade de flexibilidade passa a ser central, exigindo investimentos em armazenamento, usinas com resposta rápida e melhor coordenação do sistema. Não se trata apenas de comparar tecnologias isoladamente, mas de olhar o sistema de forma integrada, garantindo segurança operativa, eficiência e modicidade tarifária. O custo dessa transição existe, e o grande desafio é equilibrar”, afirmou. 

As usinas reversíveis foram apontadas como uma das principais alternativas para ampliar a flexibilidade do sistema. A tecnologia permite armazenar energia em períodos de menor demanda e disponibilizá-la nos momentos de maior consumo, contribuindo para o equilíbrio da operação. 

Além das discussões regulatórias, o evento apresentou experiências internacionais, como a usina de Fengning, na China, considerada a maior instalação reversível do mundo e referência para projetos de grande porte. 

Para a Copel, o avanço do armazenamento no Brasil passa pela superação dos entraves regulatórios. “O Brasil já tem tecnologia, parceiros e projetos para avançar em armazenamento, mas está travado pela ausência de regras claras, faltam definições sobre modelos operacionais, licenciamento e um rito regulatório objetivo na Aneel. Mais do que o desenho de mercado, o que precisamos agora é destravar essa base normativa para viabilizar investimentos e aumentar a eficiência da economia”, afirmou o vice-presidente de Novos Negócios da Copel, Diogo Mac Cord. 

Especialistas apontaram que o armazenamento de energia deve ganhar espaço na agenda do País nos próximos anos. As usinas reversíveis são vistas como uma solução estratégica, mas ainda dependem de ajustes regulatórios e de modelos de contratação que viabilizem novos investimentos. 

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