IDR-Paraná fortalece o turismo de base comunitária na Ilha do Maciel, em Pontal do Paraná

Atividade se torna instrumento estratégico de desenvolvimento sustentável na comunidade caiçara. Atuação do Instituto resultou em série de conquistas de ordem legal, além de planejamento coletivo para atividades geradoras de renda.
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20/03/2026 - 14:20

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Nas águas da Baía de Paranaguá, onde canoas coloridas e redes de pesca compõem a paisagem tradicional, a Ilha do Maciel, no município de Pontal do Paraná, consolida um novo capítulo de sua história. Com apoio do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), o Turismo de Base Comunitária (TBC) se torna instrumento estratégico de desenvolvimento sustentável e de garantia territorial para a comunidade caiçara.

A iniciativa é conduzida pelo extensionista Charles Fernando Marins Peixoto, especialista em Gestão Turística, que atua diretamente na organização comunitária há mais de uma década, no planejamento participativo e na estruturação das ações de desenvolvimento local. O trabalho significa uma mudança importante para os moradores da comunidade.

A Ilha do Maciel tem mais de dois séculos de ocupação tradicional. Ao longo desse tempo foi cenário de conflitos fundiários e pressões relacionadas à expansão industrial e portuária na região. A origem das disputas remonta à Lei Estadual nº 249/1949 que desconsiderou a posse tradicional das famílias ao destinar áreas à empresa Balneária Pontal do Sul S/A. Diante dessa decisão, a organização comunitária tornou-se fundamental.

Em 2017 foi criada a Associação Comunitária dos Pescadores da Ilha do Maciel. Com apoio técnico do IDR-Paraná, os pescadores passaram a atuar de forma estruturada na defesa de seus direitos e na construção de alternativas econômicas sustentáveis.

SEGURANÇA – A atuação do Instituto resultou em conquistas importantes para a permanência das famílias no território. Entre elas está a obtenção do Termo de Autorização de Uso Sustentável (TAUS), instrumento que garante segurança jurídica aos moradores, frente a interesses externos. Também foi elaborado o Cadastro Ambiental Rural (CAR) Comunitário, assegurando reconhecimento ambiental e gestão coletiva do território.

A chegada da energia elétrica representou outro marco estrutural, ampliando a qualidade de vida, viabilizando o armazenamento adequado do pescado e permitindo melhorias na infraestrutura necessária ao turismo.

Desde 2016, a Ilha do Maciel integra os Circuitos Internacionais de Caminhadas na Natureza, evento promovido pelo IDR-Paraná que reúne aproximadamente 300 visitantes por edição. A mobilização envolve 19 famílias que oferecem alimentação típica e acolhimento aos participantes.

“O cardápio é a expressão da identidade caiçara: arroz, feijão, peixe fresco frito, farinha de mandioca branca e sucos de frutas nativas da Mata Atlântica. Mais do que gerar renda pontual, o evento reforça o reconhecimento da comunidade como destino turístico de valor cultural e ambiental”, afirma Peixoto.

ALTERNATIVAS DE RENDA – O planejamento participativo, coordenado por Charles Peixoto, identificou oportunidades de diversificação e agregação de valor à produção local. Entre as iniciativas em desenvolvimento estão: produção de pescado defumado, ampliando vida útil e valor comercial do peixe capturado pelos pescadores; a fabricação de doces artesanais com frutos da floresta; o artesanato, o guiamento em trilhas ecológicas e vivências culturais; a estruturação da pesca de recreio; e o turismo de observação de aves.

“Optamos por um modelo que prioriza o protagonismo comunitário, a geração de renda local e a conservação ambiental”, observa Peixoto.

A busca por alternativas econômicas para os moradores da ilha é essencial, já que sem uma renda que lhes garanta a sobrevivência, muitas famílias têm deixado a comunidade. Segundo levantamentos, em 2017, a comunidade reunia 43 famílias. Em 2023, o número foi reduzido para 27 famílias. Charles Peixoto, ressalta que esse fato reforça a necessidade de desenvolver estratégias que estimulem a permanência das novas gerações na comunidade.

FORMAÇÃO – Por meio do Diagnóstico Participativo Rural (DRP), metodologia aplicada pelos profissionais do IDR-Paraná, os próprios moradores contribuem na definição das prioridades de desenvolvimento da ilha. Atualmente, 70% dos responsáveis familiares estão em faixa economicamente ativa e 19, das 27 famílias, demonstram interesse direto em atuar com o Turismo de Base Comunitária.

Estão previstas capacitações em formação de guias, gestão de negócios comunitários e qualificação da infraestrutura paisagística, com foco na consolidação de um ecossistema econômico capaz de fortalecer a sucessão familiar e manter os jovens no território. 

Para o IDR-Paraná, o Turismo de Base Comunitária na Ilha do Maciel vai além da atividade econômica. “Trata-se de uma estratégia integrada de desenvolvimento territorial, proteção ambiental e valorização da cultura caiçara” destaca Peixoto. "A experiência na Ilha do Maciel demonstra que o turismo responsável pode funcionar como instrumento de resistência frente à descaracterização territorial, promovendo desenvolvimento sustentável e preservando o patrimônio cultural do Litoral do Paraná", complementa.

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