Depois de um dia de muito estudo ou trabalho, 55 migrantes cubanos, venezuelanos, colombianos, egípcios, palestinos, marroquinos, mexicanos, líbios, ganeses, tunisianos, sírios, bangladenses, argentinos e peruanos se reúnem nas salas do Bloco B do Campus Centro da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) para aprender Língua Portuguesa. A turma faz parte do projeto de extensão Processos Migratórios e Intercâmbio: Inclusão Social e Diversidade Cultural (Promigra).
As aulas do Promigra iniciaram em abril deste ano. Na UEPG, o Promigra oferece aulas de língua portuguesa e contribui para promover a defesa dos direitos fundamentais da comunidade de migrantes, que enfrentam dificuldades ao se inserirem em um país com língua e costumes diferentes dos seus. O projeto é vinculado ao Programa de Extensão da Educação Superior na Pós-Graduação (Proext-PG).
Numa sala de aula, vários planos passam pela cabeça. Alguns na turma querem recolocação profissional, outros almejam seguir na pós-graduação, como é o caso de Franco Tomassich, da Argentina, e Natalia Aponte Abente, do Paraguai. Ambos veem na UEPG a oportunidade de seguir carreira acadêmica. Natalia iniciou neste ano o Mestrado em Odontologia na UEPG e faz o curso do Promigra para se habituar mais rapidamente à cultura brasileira. “As aulas aqui são muito boas, fico bem concentrada, e agora estamos avançando muito com os conteúdos pra gente poder falar e entender melhor”, conta.
Ela diz que a pergunta que mais a fazem desde que chegou à cidade é “quais os planos daqui pra frente?”. Ela diz que ainda é cedo para ter respostas prontas, mas já sabe que deseja seguir no Doutorado. “Tá sendo uma experiência tão boa, conheci e vi muitas coisas que nunca havia visto, então quero aproveitar ao máximo pra crescer profissionalmente”.
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Franco veio ao Brasil em busca de uma vaga no Mestrado em Jornalismo da UEPG, e agora se dedica para se aprofundar mais na língua, para depois participar do processo seletivo. “A experiência de estudar aqui está sendo bem legal. Estou aprendendo muito, estou me adaptando, e as aulas são maravilhosas. O pessoal aqui tem muito cuidado com os alunos”. Além do aprendizado com o idioma, também há o contato com outras culturas. “Aqui tenho colegas de muitos países e todos são muito acolhedores”.
Para quem está do outro lado da sala, a experiência de participar do Promigra também é enriquecedora. Gisele Maciel é professora do projeto desde 2024 e para ela dar aulas para migrantes é sempre um bom desafio. “Ensinar pessoas adultas que não são nativas da nossa língua é como ensinar alguém do zero, e isso é uma experiência incrível, eu me encantei muito com o projeto”, afirma. Gisele recorda de um aluno que, ao final das aulas do ano, a agradeceu emocionado pelas aulas que teve, “então é visível a diferença que fazemos na vida deles”.
A aula da última semana foi sobre emprego. Os alunos aprenderam a escrever um currículo e sobre como conversar em uma entrevista de trabalho. “Utilizamos uma apostila chamada ‘Portas Abertas’, que tem conteúdos gramaticais, mas também traz questões da nossa cultura , para que migrantes aprendem mais e se adaptem”, informa Gisele.
Para além das aulas, os alunos também participam de outras atividades, como cafés culturais, passeios turísticos e encontros para trocas de conhecimento. “A partir do nosso curso, eles podem iniciar o processo de naturalização no Brasil, e isso facilita muito para que eles se adaptem, consigam um emprego e reiniciem a vida por aqui”, finaliza a professora.














