O Boletim Conjuntural do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), divulgado nesta quinta-feira (11), destaca que o plantio da cevada já atingiu 44% da área estimada. O resultado ocorre pelo clima favorável e à umidade ideal do solo.
O avanço consolida a projeção de uma área recorde de 126 mil hectares para 2026, extensão 21% superior aos 104 mil hectares colhidos em 2025. Com isso, a estimativa de produção segue acima de 550 mil toneladas, segundo os dados apontaram em maio. Porém, ainda há um desafio para os próximos meses por causa do fenômeno El Niño. O risco de uma alta incidência de chuvas na primavera pode afetar a qualidade dos grãos na colheita.
O Paraná é o principal produtor do País. O Rio Grande do Sul é o segundo principal, mas com cerca de 100,4 mil toneladas. O País deve produzir 678,7 mil toneladas, de acordo com estimativas do IBGE, um aumento de 7,2% em relação ao volume produzido em 2025.
"O plantio de cevada evoluiu bem nessa semana em função de que nós tivemos um tempo mais seco, diferente de maio, quando tivemos muitas chuvas. O lado positivo é que essas chuvas de maio também foram importantes para o plantio, visto que elas disponibilizaram umidade no solo para que os trabalhos acontecessem de forma plena", afirma Carlos Hugo Godinho, engenheiro agrônomo e analista do Deral.
MILHO – Para as culturas de grãos, a segunda safra de milho 2025/26 avança e fortalece a expectativa de uma boa produção. De acordo com o último levantamento do Deral, a estimativa para a safra é de 17,5 milhões de toneladas. A colheita ainda ocorre de forma isolada e pontual, tendo iniciado recentemente na região Oeste, principal produtora em volume do estado. Até o momento, foram colhidos cerca de 14 mil hectares, representando menos de 1% da área total cultivada.
“Dos 2,9 milhões de hectares plantados, 24% já se encontram na fase final de desenvolvimento e apresentam risco praticamente nulo de geadas, enquanto os 76% restantes ainda demandam atenção às variações térmicas”, explica o analista do Deral, Edmar Gervasio.
PERUS – A cadeia de perus do Paraná destina quase metade de sua produção ao mercado externo. Segundo os dados, o segmento registrou uma expressiva recuperação de faturamento nas exportações nacionais de cortes e industrializados, mercado no qual o Estado mantém participação estratégica.
Em 2025, o Paraná aumentou sua participação na exportação nacional da proteína para 22,61%, o que correspondeu a 14.875 toneladas, superando o desempenho de 2024, quando registrou 21,30% de participação (8.692 toneladas). No geral, as vendas brasileiras de carne de peru alcançaram 88 mercados em 2025, com destaque para os embarques direcionados às Américas (63,05%) e à África (31,15%).
BRÓCOLIS – O brócolis reafirma sua sensibilidade às condições de clima e mercado. O polo produtor da região de Curitiba, que responde por 75,6% das colheitas paranaenses, registrou um aumento sazonal da oferta, promovendo um recuo expressivo nos preços praticados no atacado neste início de junho. Dados do boletim mostram que, na segunda semana do mês, o preço mais comum praticado no entreposto de Curitiba fixou-se em R$ 8,33/kg, valor 28,6% abaixo do registrado no mesmo período do mês anterior.
LEITE – A balança comercial de lácteos do Paraná encerrou o primeiro quadrimestre de 2026 com saldo positivo em volume, totalizando 4,3 mil toneladas exportadas frente a 3,1 mil toneladas importadas. No entanto, a receita cambial permaneceu deficitária. Enquanto o Estado gerou US$ 8,1 milhões com as exportações, desembolsou US$ 11,4 milhões com as importações. Esse resultado ocorre porque a pauta exportadora concentra-se em itens de menor valor agregado, como manteiga, enquanto o mercado interno demanda a importação de produtos mais caros, como queijos.






