Polícia Científica do Paraná incorpora tecnologia capaz de ampliar imagens em 100 mil vezes

A tecnologia permite ampliações de até 100 mil vezes, enquanto microscópios ópticos tradicionais alcançam cerca de 2 mil vezes. Com isso, os peritos conseguem visualizar estruturas, partículas e características superficiais que passariam despercebidas em análises convencionais.
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12/06/2026 - 10:50

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Partículas invisíveis a olho nu podem guardar informações decisivas para uma investigação criminal. Para ampliar a capacidade de identificar e analisar esses vestígios, a Polícia Científica do Paraná (PCIPR) passou a contar com um Microscópio Eletrônico de Varredura (MEV), equipamento que permite observar materiais em escala microscópica com nível de detalhamento muito superior ao alcançado por métodos convencionais. 

“O MEV diferencia-se do microscópio óptico tradicional principalmente pela forma de obtenção da imagem. Enquanto o microscópio óptico utiliza luz visível e lentes ópticas, o MEV utiliza um feixe de elétrons para varrer a superfície da amostra. Isso permite alcançar níveis muito superiores de ampliação, resolução e profundidade de campo, possibilitando a observação detalhada da morfologia e composição de materiais em escala microscópica e até nanométrica”, afirma o diretor da Academia de Ciências Forenses (ACF) da PCIPR, Alexandre Lara.

A tecnologia permite ampliações de até 100 mil vezes, enquanto microscópios ópticos tradicionais alcançam cerca de 2 mil vezes. Com isso, os peritos conseguem visualizar estruturas, partículas e características superficiais que passariam despercebidas em análises convencionais.

Além da visualização detalhada das amostras, o equipamento também permite a caracterização química dos materiais analisados. Assim, a combinação entre imagem de alta resolução e identificação da composição dos vestígios amplia significativamente as possibilidades de análise em exames periciais. 

APLICAÇÕES – O equipamento permite a análise de uma ampla variedade de materiais, como fragmentos metálicos, partículas minerais, fibras têxteis, tintas automotivas, polímeros, vidros, resíduos provenientes de incêndios e explosivos. A capacidade de observar a morfologia e a composição química desses vestígios em escala microscópica fornece informações que podem auxiliar na identificação da origem dos materiais e na reconstrução de eventos investigados.

Na área forense, uma das principais aplicações é a análise de resíduos de disparo de arma de fogo. O microscópio é capaz de localizar partículas microscópicas e identificar sua composição química, permitindo caracterizar resíduos formados por elementos como chumbo, bário e antimônio, frequentemente associados aos disparos. A tecnologia oferece maior precisão na identificação desses vestígios e fortalece a produção da prova técnico-científica. 

Em análises de resíduos de disparo, por exemplo, é possível identificar partículas características pela forma e composição química, algo que muitas vezes não seria perceptível em análises ópticas convencionais. Também é possível identificar microfraturas, deformações, marcas de fabricação e alterações térmicas invisíveis a olho nu.

“O MEV permite observar a morfologia, textura, composição superficial e microestrutura de partículas e materiais em níveis extremamente detalhados. Em análises de resíduos de disparo, por exemplo, é possível identificar partículas características que muitas vezes não seriam perceptíveis em análises ópticas convencionais,” destaca o diretor da ACF.

O tempo necessário para a realização dos exames varia de acordo com a complexidade da análise, o tipo de vestígio e a quantidade de amostras avaliadas. O processo pode envolver etapas de preparação do material, calibração do equipamento, aquisição de imagens e análises químicas complementares, podendo durar de algumas horas a períodos mais extensos em casos de maior complexidade. 

PIONEIRISMO NO ESTADO – A aquisição do equipamento representa um marco para a Polícia Científica do Paraná. Esta é a primeira unidade de Microscópio Eletrônico de Varredura incorporada à instituição, ampliando a capacidade técnica dos laboratórios forenses do Estado e possibilitando a realização de análises especializadas com maior precisão e detalhamento.

Embora a tecnologia já seja utilizada em instituições de pesquisa, universidades e órgãos periciais de referência no Brasil, como a Polícia Federal, sua incorporação à estrutura da PCIPR fortalece as ciências forenses no Estado e amplia o suporte técnico às investigações criminais.

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