Projeto grandioso: concerto dos 41 anos da OSP mobiliza 230 artistas e crianças no Guairão 

Regido pelo maestro titular, Roberto Tibiriçá, é um dos projetos mais robustos da temporada da OSP, tradição que acompanha os concertos de aniversário da orquestra. O primeiro ensaio conjunto, na quarta-feira (20), revelou a dimensão da engrenagem necessária para que tudo funcione para o dia 28 de maio.
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26/05/2026 - 12:00
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A grandiosidade do concerto que celebra os 41 anos da Orquestra Sinfônica do Paraná (OSP) se mostra muito antes de o público ocupar as poltronas do Guairão. Nos bastidores do teatro, corredores, salas de ensaio e camarins se transformaram, nas últimas semanas, em um grande encontro de músicos, maestros, coralistas, crianças, técnicos e equipes de apoio em uma operação para colocar mais de 230 pessoas no palco em perfeita sintonia.

Marcado para os dias 28 e 31 de maio (quinta-feira e domingo), o concerto “Grande Festa da Música Brasileira” reúne a OSP, com quase 90 músicos, entre fixos e contratados, um coro sinfônico adulto de 60 vozes e cerca de 80 crianças e adolescentes dos coros infantis Papo Coral e Coral Curumim. Restam poucos ingressos para quinta, enquanto que o concerto de domingo está lotado.

O espetáculo, regido pelo maestro titular da orquestra, Roberto Tibiriçá, é um dos projetos mais robustos da temporada da OSP, tradição que acompanha os concertos de aniversário da orquestra. Em 2025, por exemplo, a celebração dos 40 anos reuniu mais de 200 pessoas em cena na monumental “Sinfonia da Ressurreição”, de Gustav Mahler. Neste ano, o número cresce ainda mais com a presença dos coros infantis e juvenis.

GRANDE SHOW – Antes do primeiro acorde coletivo, foram meses de preparação separada: cada coro ensaiou individualmente, as vozes foram trabalhadas em grupos, os músicos da orquestra estudaram os complexos repertórios e, somente na última semana, todos começaram a se encontrar para unir música e canto.

O primeiro ensaio conjunto, na quarta-feira (20), revelou a dimensão da engrenagem necessária para que tudo funcione. Enquanto parte dos corais aquecia a voz em uma das salas do teatro, técnicos organizavam partituras, movimentam cadeiras e ajustavam a estrutura especial montada no palco para acomodar centenas de artistas.

As crianças, muitas vezes inquietas com a movimentação, são divididas por altura e posicionamento para facilitar a organização visual e sonora. Nos corredores, auxiliares acompanham deslocamentos, ajudam em idas ao banheiro e orientam os pequenos coralistas nos bastidores.

Ao subir ao palco, toda essa movimentação converge para um único comando: o de Tibiriçá, que conduz os ensaios com a ajuda dos regentes auxiliares dos coros em obras de grande complexidade rítmica e vocal: o prelúdio da ópera “O Garatuja”, de Alberto Nepomuceno; “Mandu-Çarará”, cantata profana de Heitor Villa-Lobos; e “Maracatu de Chico Rei”, de Francisco Mignone.

“É uma energia enorme e, ao mesmo tempo, um desafio”, resume o regente do coro sinfônico, Alexandre Mousquer. “Fazemos todo o possível para estar preparados musicalmente e também para que tudo seja organizado. São obras grandiosas, com desafios muito característicos da música brasileira, tanto pela rítmica quanto pelas linguagens indígenas e africanas presentes nas partituras.”

Mousquer conta que o trabalho começou há semanas, ainda antes dos encontros com a orquestra, com ensaios primeiro em grupos separados por vozes masculinas e femininas até a formação completa do coro. Ele comenta que, em “Maracatu de Chico Rei”, de Francisco Mignone, o desafio aumenta porque o coro ainda é dividido em dois grupos independentes.

ENCONTROS – Mesmo em meio à intensidade dos ensaios, há espaço para a emoção dos encontros. Muitos integrantes do coro adulto começaram justamente nos corais infantis que agora trabalham juntos e servem de inspiração para as novas gerações. “A gente vê que muda a vida”, afirma a regente do Papo Coral, Cristiane Alexandre. “Essa experiência de cantar com orquestra, em um palco como o Guairão, transforma a trajetória dessas crianças”, diz.

Ela destaca que o repertório de Villa-Lobos representa uma descoberta artística profunda para os jovens. “É uma viagem musical e um aprendizado da harmonia, do ritmo brasileiro, da música como um todo. Villa-Lobos é sempre muito desafiador, mas também extremamente inspirador.”

Nos ensaios, o contraste entre disciplina e espontaneidade resume o espírito do projeto: crianças inquietas nos bastidores silenciam rapidamente ao primeiro comando dos regentes. Entre uma brincadeira e outra, acompanham atentamente cada entrada musical e observam fascinadas os músicos da orquestra afinando seus instrumentos.

Para Joyce Miriam Todeschini, responsável pelo Coral Curumim, o processo de preparação vai muito além da música. “É um aprendizado para a vida”, afirma. “Existe repetição, concentração, paciência, persistência. Eles aprendem que é preciso construir aos poucos até dominar a obra.”

A regente acrescenta que “Mandu-Çarará” exige das crianças não apenas precisão musical, mas também compreensão cultural. A obra traz trechos em Nheengatu, língua de matriz indígena, e se inspira em lendas amazônicas. “No começo, eles ainda não entendiam muito bem no que aquilo ia resultar. Mas, aos poucos, vão descobrindo o significado do texto, da história e da música. Quando percebem o todo, são fisgados”, afirma.

HOMENAGEM – O concerto deste ano também carrega um componente emocional especial para o Coral Curumim. Há pouco mais de dez dias, em 11 de maio, morreu Carlos Todeschini, fundador do grupo ao lado de Joyce. Desde então, ela assumiu integralmente a coordenação dos trabalhos e seguiu conduzindo os ensaios com as crianças.

Longe de transformar o momento em tristeza, Joyce prefere falar em continuidade e legado. “O meu sentimento é de alegria”, diz. “O Carlos sempre foi uma pessoa muito leve e parceira. Saber do carinho que as pessoas têm por ele me alegra. Tenho uma imensa gratidão por tudo o que construímos juntos e que segue vivo neste concerto.”

Serviço:

Concerto do 41º aniversário da Orquestra Sinfônica do Paraná, com regência de Roberto Tibiriçá, maestro titular e diretor musical da OSP

Apresentações: 28 e 31 de maio de 2026

Quinta, às 20h30 (lugares marcados), e domingo, às 10h30 (lugares livres - ESGOTADO)

Local: Teatro Guaíra - Auditório Bento Munhoz da Rocha Neto (Guairão)

Endereço: Rua Conselheiro Laurindo, 175, Centro, Curitiba/PR

Tempo de duração do espetáculo: Aproximadamente 1h30

Classificação etária: 6 anos

Ingressos: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia-entrada), à venda em DiskIngressos e na bilheteria do Teatro Guaíra 

Bilheteria do Teatro Guaíra: Rua Conselheiro Laurindo, 175, Centro - Curitiba/PR. De segunda-feira a sexta, das 10h às 14h e das 15h às 19h. Em dias de evento, a bilheteria abre com 2 horas de antecedência ao horário de início da apresentação.

Participação de coro sinfônico, com regência de Alexandre Mousquer, e dos coros infantis Papo Coral, com regência de Cristiane Alexandre, e Coral Curumim, com regência de Joyce Miriam Todeschini

Programa:

Nepomuceno: "O Garatuja"

Villa-Lobos: "Mandú–Çárárá"

Mignone: "Maracatu de Chico Rei"

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