Sanepar resgata mais de 70 colmeias de abelhas nativas no Reservatório Miringuava

Trabalho de resgate é feito por equipes especializadas e garante a saúde do ecossistema local. Espécies encontradas incluem abelhas nativas sem ferrão, que carregam o material genético único da região.
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08/04/2026 - 10:10
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Desde janeiro de 2025, quando iniciou o trabalho de resgate de flora e fauna na região do Reservatório Miringuava, a Sanepar já registrou 123 resgates de ninhos de vespas e colmeias de abelhas. Desse total, mais de 70 colmeias são de 15 espécies de abelhas nativas sem ferrão.

O diretor-presidente da Sanepar, Wilson Bley, destaca que a construção de um reservatório é complexa e existe um planejamento voltado para o cuidado com a fauna e a flora locais. “Cada etapa foi executada de maneira a minimizar os impactos ambientais. Garantimos a segurança hídrica da população de Curitiba e Região Metropolitana com aumento de 25% de reservação de água do sistema integrado com o Reservatório Miringuava e mantemos nosso compromisso com a sustentabilidade durante todas as etapas de construção, enchimento e operação da barragem”, diz.

A bióloga e gestora ambiental da companhia, Ana Cristina do Rego Barros, explica que as equipes especializadas em resgate e afugentamento de fauna fazem um acompanhamento simultâneo aos trabalhos de supressão vegetal e limpeza da área. “Além das abelhas, mais de 10 mil animais silvestres já foram resgatados ou afugentados. O trabalho será mantido até a finalização do enchimento da barragem”, afirma.

ESPÉCIES – De acordo com Hélio Massao Isobe, biólogo da empresa Jardiplan, contratada da Sanepar no processo de resgate da fauna, as abelhas resgatadas são, na maioria, do grupo Meliponini – nativas sem ferrão. Também têm sido resgatadas abelhas exóticas, do gênero Apis, além de mamangavas e vespas.

“Uma das espécies que tivemos maior número é uma espécie bastante interessante e peculiar, que é a Mirim-Guaçu (Plebeia remota). É uma abelha que poliniza, e as colmeias que encontramos apresentam uma reserva de alimento muito grande, o que para os criadores é algo diferente”, explica.

Ele destaca que é fundamental resgatar as abelhas, especialmente na fase atual de enchimento da barragem, porque elas não abandonam o local de origem. “As abelhas vivem em colmeia, têm um grupo de castas sociais onde elas se organizam, cada uma na sua função. Mesmo que a água suba, elas não vão sair. Então, a gente precisa ir lá retirar o ninho, passar para uma caixa ou retirar em cepo (secção de tronco) e fazer a remoção do local”, afirma.

O método do resgate varia de acordo com a situação. Se a colmeia ficou exposta no momento do corte, é feita a transferência do ninho para uma caixa, que é fechada e remanejada para o Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas), localizado próximo ao reservatório. Quando a colmeia fica no interior do tronco, toda a estrutura é encaminhada para o centro de triagem. “Nós monitoramos o desenvolvimento delas, se conseguiram se reestruturar, controlar o ataque de forídeos (pequenas moscas) e se conseguiram iniciar o depósito de mel e pólen”, explica Isobe.

A maioria das colmeias será destinada para áreas de preservação permanente da represa. O restante será enviado a meliponicultores da Bacia do Miringuava para enriquecimento genético dos plantéis, para a Universidade Federal do Paraná (UFPR), para a Embrapa e também para a prefeitura de São José dos Pinhais, que desenvolve um projeto educativo e um meliponário de referência.

ÁGUA PROTEGIDA – Consideradas vitais para o equilíbrio dos ecossistemas, as abelhas participam significativamente na proteção de rios, nascentes e mananciais, promovendo a regeneração natural de florestas e matas ciliares por meio da polinização. “As abelhas cumprem um serviço ecossistêmico imensurável, não tem como calcular. É muito importante que a gente desempenhe esse papel, porque é um patrimônio genético que está aqui, traz uma série de informações importantes e servirá para inúmeras pesquisas e estudos”, acrescenta Hélio.

JARDINS DE ÁGUA E MEL – Outra iniciativa da Sanepar relativa à proteção de abelhas nativas e que reforça o compromisso com a sustentabilidade ambiental é o Jardim de Água e Mel. O projeto visa a construção de jardins, preferencialmente em ambientes escolares, que abrigam colônias de abelhas nativas sem ferrão, como as espécies mandaçaia e jataí. Nesses espaços, também é estimulado o cultivo de Plantas Alimentícias Não Convencionais (Pancs), flores melíferas, e é incentivada a prática de compostagem.

O Jardim de Água e Mel é uma ferramenta de conservação da biodiversidade que contribui para o aumento gradual da população dessas abelhas. Além disso, fortalece a educação ambiental, proporcionando aprendizado por meio do contato direto com a natureza. Desde a implantação do primeiro jardim, em 2021, a Sanepar já entregou 79 jardins compactos, três completos e 37 minimalistas, totalizando 614 colônias de abelhas sem ferrão. Ao todo, a iniciativa já impactou 89.861 pessoas em 32 municípios.

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