Paraná é o estado que mais ganhou espaço na indústria brasileira em 4 décadas, aponta estudo

Ainda de acordo com o estudo do IEDI, a indústria de transformação responde atualmente por 20,6% do Produto Interno Bruto (PIB) paranaense. O percentual coloca o Paraná entre os estados mais industrializados do País e bem acima da média nacional, de 15,2%.
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10/06/2026 - 15:20

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O Paraná foi o estado que mais ampliou sua presença na indústria brasileira entre 1985 e 2024, segundo um recente estudo do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (IEDI) elaborado a partir de dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS). No período, o Estado aumentou em 4,62 pontos percentuais sua participação no emprego industrial nacional, registrando o melhor desempenho do País neste indicador.

Os dados mostram que o avanço paranaense ocorreu justamente durante um período de retração relativa da indústria no Brasil. Ao longo de quatro décadas, o Estado ampliou sua participação na produção e no emprego industrial nacionais e fortaleceu segmentos associados à inovação, engenharia e desenvolvimento tecnológico. Os outros grandes crescimentos da indústria no mercado de trabalho formal no período ocorreram em Santa Catarina (3,6%), Minas Gerais (3,2%) e Goiás (2,5%).

O levantamento do IEDI aponta que o Paraná também ampliou em 3,38 pontos percentuais sua participação no Valor Adicionado Bruto (VAB) da indústria de transformação, indicador que mede a riqueza efetivamente gerada pelas atividades industriais e funciona como uma referência equivalente ao PIB do setor. Com isso, o Estado passou a responder por cerca de 7% da riqueza gerada pela indústria de transformação brasileira e por aproximadamente 8% do emprego industrial nacional.

Os resultados revelam uma transformação estrutural da economia paranaense. Historicamente reconhecido pela força do agronegócio, o Estado consolidou ao longo das últimas décadas uma indústria diversificada, presente em cadeias produtivas estratégicas que vão da fabricação de alimentos e papel à produção de veículos, máquinas, equipamentos e produtos químicos.

ENTRE OS MAIS INDUSTRIALIZADOS – A força dessa transformação pode ser observada em um dos principais indicadores acompanhados pelos economistas, chamado de grau de industrialização. O índice mede o peso da indústria dentro da economia e do mercado de trabalho, permitindo avaliar o quanto a atividade industrial contribui para a geração de riqueza e empregos.

De acordo com o estudo do IEDI, a indústria de transformação responde atualmente por 20,6% do Produto Interno Bruto (PIB) paranaense. O percentual coloca o Paraná entre os estados mais industrializados do País e bem acima da média nacional, de 15,2%. No ranking nacional, o Estado aparece atrás apenas de Santa Catarina e do Amazonas – este último influenciado pelas características específicas da Zona Franca de Manaus.

Quando o critério é a geração de empregos, o Paraná também aparece entre os destaques nacionais. A indústria responde por 21,1% dos postos formais de trabalho do Estado, bem acima da média brasileira, de 14,8%.

Na prática, isso significa que aproximadamente um em cada cinco trabalhadores com carteira assinada no Paraná está empregado diretamente em atividades industriais, evidenciando o papel central do setor para a economia estadual.

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Foto: Secom


ALTA TECNOLOGIA – O estudo mostra que o crescimento industrial paranaense não ocorreu apenas pela expansão de atividades tradicionais. Um dos principais diferenciais do Estado foi o avanço em segmentos classificados pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) como de alta e média-alta intensidade tecnológica.

Nessa categoria estão incluídas atividades como a indústria automotiva, fabricação de máquinas e equipamentos, produtos químicos, equipamentos elétricos e outros setores que demandam maior investimento em conhecimento, inovação, engenharia e desenvolvimento tecnológico.

Entre 1985 e 2024, o Paraná ampliou em 4,66 pontos percentuais sua participação no emprego nacional desses segmentos, registrando um dos maiores avanços do País. A importância desse movimento vai além da própria indústria. De acordo com a metodologia da OCDE adotada pelo estudo, setores de maior intensidade tecnológica concentram atividades com maior conteúdo de conhecimento, inovação e capacidade de difusão tecnológica para o restante da economia.

EMPREGO E RENDA – Os resultados observados pelo IEDI podem ser confirmados por outros indicadores recentes do mercado de trabalho paranaense. Dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) mostram que o Estado chegou a 210 mil trabalhadores em atividades tecnológicas em 2024, um crescimento de 36% em relação a 2017.

O avanço de setores mais intensivos em tecnologia também tem reflexos na renda. Levantamento do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), elaborado com base nos dados da RAIS, aponta que o volume total de salários pagos aos trabalhadores do Paraná cresceu 40,9% acima da inflação entre 2018 e 2024, passando de R$ 122 bilhões para R$ 217 bilhões anuais.

Outro indicador utilizado pelo estudo do IEDI mostra que o Paraná registrou o maior avanço do Brasil na relação entre empregos industriais e população entre 1985 e 2024. No período, o Estado ganhou 37 empregos industriais para cada mil habitantes, enquanto nos segmentos de alta e média-alta intensidade tecnológica o avanço foi de 11,4 empregos por mil habitantes.

Os efeitos dessa transformação também aparecem no mercado de trabalho. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD Contínua), do IBGE, o Paraná encerrou 2025 com taxa de desemprego de 3,2%, a menor de toda a série histórica do instituto nacional.

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